Sociedade

Linha SOS Sida atendeu 60 mil chamadas em 18 anos, a maioria de homens

Linha SOS Sida atendeu 60 mil chamadas em 18 anos, a maioria de homens

 

Lusa/AO online   Nacional   29 de Nov de 2009, 14:19

São mais os homens que procuram a Linha SOS Sida, que atendeu 60 mil chamadas em 18 anos. O número de chamadas tem sido regular ao longo dos anos, assim como o perfil de quem telefona e o teor do telefonema.

Criada em Julho de 1991 pela Liga Portuguesa Contra a Sida (LPCS), a Linha SOS SIDA é um serviço de aconselhamento telefónico gratuito e anónimo, o primeiro a nível nacional e que funciona diariamente entre as 17:30 e as 21:30. “O serviço já atendeu mais de 60 mil chamadas”, disse à agência Lusa a presidente da LPCS, salientando que os telefonemas têm vindo a manter-se de forma regular, desde a criação da Linha, não só no seu número, mas também no seu conteúdo”. Nas vésperas do Dia Mundial de Luta contra a Sida, que se assinala terça-feira, Maria Eugénia Saraiva adiantou que o perfil da pessoa que telefona tem-se mantido praticamente inalterado ao longo dos últimos anos. Estes serviços, segundo a LPCS, “são observatórios privilegiados e desempenham um papel decisivo no quadro geral de luta contra a sida, disponibilizando informação e respondendo a pedidos específicos de ajuda e aconselhamento de fácil acesso, longe das reprovações sociais e de olhares indiscretos”. A esmagadora maioria das chamadas recebidas (94 por cento) são "sérias" e envolvem questões relacionadas com a problemática VIH/sida. Apenas quatro por cento são chamadas "brancas", as de brincadeira, obscenas, ou aquelas em que há silêncios prolongados ou que não dizem respeito a esta problemática. Cerca de 77 por cento das pessoas que ligam para o 800 20 10 40 são homens. A maioria (90 por cento) dos utilizadores do serviço tem entre 30 e 50 anos, o que reflecte “a baixa preocupação dos jovens em relação a esta problemática”. “A ideia de que estas linhas se destinam especialmente às pessoas seropositivas é totalmente errada: quem tiver dúvidas telefona, mas geralmente são pessoas que tiveram comportamentos sexuais há pouco tempo e querem saber o seu grau de risco”, salienta a Liga. Os dados indicam que 92 por cento das pessoas que telefonam “não estão infectadas, mas afectadas ou preocupadas com esta problemática”. A ligeira diminuição que se tem verificado relativamente ao número de pessoas infectadas com o VIH no serviço prende-se com o aumento do número de Centros de Aconselhamento e Detecção Precoce VIH (CAD) a nível nacional que facilitam o acesso à informação e a diferentes modalidades de aconselhamento, refere a Liga. Desde o aparecimento dos testes de quarta geração e dos testes rápidos que os principais motivos de chamadas se prendem com questões relacionadas com o período de seroconversão - que corresponde à passagem de um doente de seronegativo para seropositivo - (23 por cento) e com os testes (22 por cento). O terceiro principal motivo da chamada mantém-se desde a criação da Linha: a preocupação com o modo de transmissão via sexo oral (16 por cento) e via social/outros (como a saliva, as lágrimas, entre outros), o que faz sobressair a distância entre ter informação, que a maior parte das pessoas refere ter, e conseguir integrá-la na sua vida, acrescenta a Liga.


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