Ligação afetiva aos Açores é fator predominante no regresso dos alunos, diz estudo

Ligação afetiva aos Açores é fator predominante no regresso dos alunos, diz estudo

 

AO Online/ Lusa   Regional   26 de Out de 2019, 11:48

A ligação afetiva aos Açores é o fator predominante na intenção de regresso dos alunos que estudam fora do arquipélago, segundo um estudo coordenado por um investigador do Instituto Superior de Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE).

“O fator mais relevante para explicar a intenção de regresso dos alunos é a vinculação ao lugar, o aspeto afetivo, a ligação emocional que estes jovens têm com o lugar. Quanto mais forte é essa ligação, mais forte é a intenção de regresso”, adiantou, em declarações à Lusa, o psicólogo e investigador do ISCTE, do Instituto Universitário de Lisboa (IUL), Francisco Simões.

O objetivo do estudo, publicado na revista académica ‘Journal of Youth Studies’, era perceber a influência do apego à terra natal e das perspetivas de futuro na decisão de regresso aos Açores.

A ideia surgiu na sequência de dois encontros de jovens universitários açorianos, que estudavam ou tinham estudado fora da região, organizados pela associação Jovens Unidos pelos Açores (JAUPA), para discutir propostas de melhoria de condições de regresso desses alunos ao arquipélago.

O estudo, assinado pelo investigador Francisco Simões, natural da ilha Terceira, e pelos membros da JAUPA Carlos Mateus e Rui Rocha, teve uma amostra de 337 açorianos, entre os 18 e os 29 anos, que estudavam em universidades do continente português.

Segundo o psicólogo, “a intenção de regresso destes jovens aos Açores é uma intenção razoável ou média”.

“Num máximo de 20 pontos possíveis o resultado médio é 13. Portanto há uma intenção razoável de regresso. Nós estávamos à espera até de a intenção ser menor. Isso mostra que ainda há um grau de vinculação aos Açores que é importante”, afirmou, explicando que o inquérito pedia uma classificação de um a cinco em quatro questões, sendo posteriormente somados os pontos.

Se “o fator mais preponderante” nas intenções de regresso foi a ligação afetiva aos Açores, para os que não pretendiam regressar foram as expectativas de rendimentos futuros que mais pesaram.

“De entre todos os fatores de natureza mais socioeconómica que foram estudados, desde as próprias habilitações dos pais ou ter ou não bolsa de estudo, o único fator que tem relação com a intenção de regresso é o rendimento que estes estudantes antecipam três anos após a conclusão. Aqueles que antecipam maior rendimento após três anos de conclusão dos estudos têm uma intenção de regresso mais baixa”, afirmou Francisco Simões.

Segundo o investigador do ISCTE, ao contrário do que outros estudos sobre o regresso de estudantes qualificados a meios rurais demonstraram, nos Açores a intenção de regresso baseada na ligação emocional mostrou-se “mais forte entre as mulheres do que nos homens”.

“O habitual é as mulheres em meios rurais, nomeadamente as que procuram mais qualificações, terem muito menos ligação ao lugar e muito menos intenção de regresso”, frisou, alegando que uma das explicações pode ser a existência nos Açores de um setor de serviços ligado à função pública “bastante alargado”, justificado pela dispersão geográfica das ilhas.

Perante estes resultados, Francisco Simões defende que o Governo Regional dos Açores não deve “concentrar as políticas públicas em incentivos após os jovens saírem, mas, sim, começar a construir a intenção de regresso antes de eles partirem”.

Nesse sentido, o investigador propõe que o executivo, por um lado, comece “a alinhar mais as propostas formativas e os programas de desenvolvimento vocacional nas escolas com setores estratégicos de desenvolvimento da região” e, por outro, promova uma “participação cívica transformadora”, envolvendo os jovens “em ações de melhoria das condições de vida da sociedade, porque isso aumenta ainda mais a vinculação que eles têm ao lugar”.



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