Líderes da África Austral impressionados com progressos no Zimbabué

O rei da Suazilândia, Mswati III, disse em Mbabane que os líderes da região estão “impressionados com o progresso feito na formação e implementação do governo de unidade no Zimbabué.


Mswati III, que discursava na abertura da cimeira extraordinária da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC) na capital da Suazilânida, dedicada à reanimação da economia zimbabueana e à situação em Madagáscar, criticou ainda as nações ocidentais que insistem em impor sanções ao Zimbabué.

“Estamos muito impressionados com os progressos feitos pelos participantes no governo de unidade (zimbabueano) e felizes pelo facto de nos terem pedido ajuda económica. No entanto, é muito difícil para nós auxiliarmos o Zimbabué enquanto algumas nações mantiverem as sanções contra o país, que mutilam a economia”, afirmou o monarca.

Sob a presidência da África do Sul, a SADC está também a analisar também a situação política em Madagáscar na sequência da deposição do Presidente Marc Ravalomanana, tentando encontrar soluções para o retorno do país à ordem democrática e constitucional.

A organização, que não reconhece a administração do auto-proclamado presidente Andry Rajoelina, irá deliberar sob a batuta do secretário-excutivo, Tomaz Salomão, relativamente aos próximos passos a encetar pela região no sentido de repor a normalidade em Madagáscar.

A “troika” do órgão de política, defesa e segurança da organização esteve reunida domingo na capital da Suazilândia para preparar propostas a serem submetidas à cimeira de Chefes de Estado e de governo.

No entanto, analistas regionais criticaram a organização de 15 Estados por permitir que nações como a Suazilândia, uma monarquia absolutista onde partidos da oposição e sindicatos não são permitidos ou severamente restringidos e reprimidos, possa ser parte do processo de decisões e de monitorização de sistemas que se desejam democráticos.

A cimeira extraordinária, que foi precedida de uma reunião do Conselho de Ministros dos Negócios Estrangeiros dos 15, domingo em Mbabane, vai procurar fontes de financiamento para um plano de reanimação da paralisada economia do Zimbabué que possa dar alguma garantia de sucesso à administração conjunta da ZANU-PF (do Presidente Robert Mugabe) e MDC (do primeiro-ministro Morgan Tsvangirai), protagonizada pelo governo de unidade empossado há pouco mais de um mês em Harare.

De acordo com fontes sul-africanas – Pretória tem pedido ao Ocidente que ponha fim às sanções impostas a Harare - os ministros das Finanças da SADC, que reuniram recentemente na Cidade do Cabo, têm já o esboço de um plano de recuperação económica para o Zimbabué, embora não seja ainda claro de onde virão os cerca de dois mil milhões de dólares que o executivo de Morgan Tsvangirai afirma serem indispensáveis para, pelo menos, pôr em movimento a economia.

Os Estados Unidos, a União Europeia e outros países que impuseram sanções individualmente a Harare por não confiarem na figura de Mugabe, que acusam de ter destruído a economia e violado os direitos humanos durante mais de duas décadas, têm enviado sinais de não estarem na disposição de levantar as sanções enquanto a nova administração não der sinais claros de mudança de direcção nos capítulos da transparência governativa e respeito pelos direitos humanos.

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