“Não foi a minha posição, não foi o que recomendei, achava que uma suspensão [do mandato] seria mais legítima para o partido mas só me cabe respeitar, infelizmente, e pedir desculpas aos açorianos que tal tenha acontecido. Mas o trabalho vai continuar”, afirmou José Pacheco, em conferência de imprensa, na sede do partido, em Ponta Delgada.
A 21 de janeiro, Miguel Arruda foi constituído arguido por suspeita do furto de malas no aeroporto de Lisboa e nesse mesmo dia a PSP realizou buscas nas casas do deputado em São Miguel e em Lisboa.
Em causa estão suspeitas de crimes de furto qualificado e contra a propriedade. Miguel Arruda terá furtado malas dos tapetes de bagagens das chegadas do aeroporto de Lisboa quando viajava vindo dos Açores no início das semanas de trabalhos parlamentares.
O dirigente do Chega/Açores considerou que, apesar de se ter perdido o deputado eleito pelos Açores, este caso não irá influenciar as relações internas.
“Obviamente que sempre tivemos um canal aberto com Lisboa e com a Assembleia da República, e assim sempre será”, afirmou.
José Pacheco referiu que “há sempre a possibilidade de o deputado Miguel Arruda renunciar ao mandato”, estando o partido “já preparado para indicar outra pessoa”.
Referindo-se às obras no Hospital do Divino Espírito Santo (HDES), em Ponta Delgada, o dirigente do Chega/Açores disse que o partido questionou o Governo Regional mas nunca obteve resposta.
Os prazos “foram sendo dilatados” e “não há nem plano nem início de obras”, o que é “demasiado grave”, acrescentou.
José Pacheco defendeu que o incêndio no HDES “deve-se à negligência, ao longo dos anos”, dos governos socialistas, com “responsabilidades políticas e governativas, que abandonaram o hospital”.
O líder do Chega/Açores questionou ainda se “quem afundou a SATA [alusão ao PS] terá soluções” para a empresa e voltou a defender a privatização da empresa de aviação ou então o encerramento da Azores Airlines.
Os cinco deputados do Chega/Açores vão entretanto doar os 5% de atualização salarial, que totaliza cerca de 9.500 euros anuais, a várias instituições como o Lions Clube das Flores, a associação Ser dos Animais, associação Recomeço, também ligada à defesa dos animais, a Liga Contra o Cancro, a par de uma igreja em dificuldades.
