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Líder comunista acredita que “é possível ir mais longe se CDU tiver mais força”

Direitos dos trabalhadores, melhores serviços públicos, incluindo no setor público empresarial, e reforço da produção regional vão continuar a ser as prioridades da CDU na próxima legislatura nos Açores, mas a coligação quer “ir mais longe” e pede “mais força”.

Líder comunista acredita que “é possível ir mais longe se CDU tiver mais força”

Autor: Lusa/AO Online

“A valorização dos salários, os direitos dos trabalhadores, o combate à precariedade, o reforço da produção regional, seja agricultura, pescas, ou indústria transformadora, e serviços públicos de qualidade, com acesso a todos os açorianos”, com prioridade para a saúde e para a educação, mas também “um setor público empresarial regional a funcionar e a dar um forte contributo para a economia” são as principais bandeiras da CDU (PCP/PEV), afirma o coordenador regional do PCP, Marco Varela.

Em entrevista à agência Lusa a propósito das eleições legislativas regionais, agendadas para 25 de outubro, o candidato comunista lembrou alguns dos contributos do partido, que elegeu, há quatro anos, um único deputado, pelo círculo das Flores, afirmando que “é possível ir mais longe, naturalmente, se a CDU tiver mais força”.

“Se a gente vir, exceto o conjunto de propostas que foram ao encontro destas questões que levantei, que tiveram a marca do PCP no Orçamento e Plano Regional, ficou muita coisa por fazer”, considera o dirigente.

Na legislatura que agora termina, o partido contribuiu para “um aumento da remuneração complementar para os 12%, num quadro em que esta remuneração complementar não era atualizada pelo menos há nove anos”, para o “avanço na contratação de assistentes operacionais, a abertura de 200 vagas na educação e na saúde” e “a contratação de 140 professores para o ensino”, assim como possibilitou “avanços na questão dos manuais escolares”.

“São pequenos avanços, naturalmente que poderiam ser outros, e a gente tem apresentado um conjunto de propostas. Com um único deputado, uma representação parlamentar, fizemos mais de 200 requerimentos, tivemos mais de 34 iniciativas e fizemos mais de 225 propostas em sede de Orçamento e Plano”, prossegue.

Sobre a governação do PS na região, referindo-se aos últimos quatro anos, o comunista acredita que “ficou aquém e podia-se ter feito muito mais” e critica, particularmente, as intenções de privatizar empresas públicas como a SATA ou a conserveira Santa Catarina, que opera em São Jorge.

Marco Varela lembra que “havia uma intenção por parte do PS, que era a privatização parcial da SATA que, ao que parece, foi abandonada”, referindo que o partido sempre esteve “contra”: “E ainda bem que isto não avança”.

“Temos de estar atentos e continuar a lutar para ter uma empresa como a SATA ao serviço dos açorianos, ao serviço dos Açores e 100% pública. Se nós não tivéssemos isto, não se podia ter feito o que se fez relativamente à entrada da epidemia, da covid-19, e os problemas que daí advêm e ainda as consequências dela”, acrescenta.

Em relação à conserveira Santa Catarina, afirma que esta “deu uma resposta excecional, nestes últimos meses”, e considera que a sua privatização “traria consequências, não só a nível regional, mas também em termos de economia local”.

Questionado sobre as dificuldades de financiamento a empresas públicas, numa altura em que a Comissão Europeia investiga a legalidade dos aumentos de capital feitos à SATA, e depois de a eurodeputada comunista ter denunciado que empresas como a Santa Catarina não se podem candidatar a fundos comunitários, por serem públicas, Marco Varela declarou que “o que está mal aqui é a submissão do país às diretrizes da União Europeia”.

“O que está mal aqui é quando se coloca a soberania de cada país em causa, porque Portugal é um contribuinte para a União Europeia, como os outros países, naturalmente, mas quando chega a parte da divisão dessa contribuição, desse bolo para que todos os países contribuem, essa divisão nunca é a mais correta”, prossegue.

Segundo o cabeça-de-lista pelos círculos do Corvo e de compensação, se houvesse “outra União Europeia, um outro tipo de projeto, um outro tipo de vontade política, relativamente ao país, não se estava a colocar esta questão do financiamento, seja no país, seja na região”.

Para estas eleições, a CDU, coligação entre o Partido Comunista Português e o Partido Ecologista ‘Os Verdes’, tem dois objetivos: “aumentar o número de votos” e aumentar o número de eleitos, permitindo “a constituição de um grupo parlamentar”.

Na região que, consistentemente, regista os níveis de abstenção mais altos do país, que nas últimas regionais foram de 59,2%, e numa altura em que a campanha será, necessariamente, diferente, este fenómeno “combate-se com propostas concretas, realistas, sem promessas, mas propostas para cumprir e, por outro lado, com o envolvimento das pessoas nos projetos”, defende.

Além de questões como os direitos laborais e um setor público mais forte, quer nas suas empresas, quer em serviços como a saúde ou a educação, ou valorização da produção regional, na agricultura, pescas e indústria transformadora, a CDU vai lutar por melhorias nas acessibilidades e pela defesa do meio ambiente.

Nas anteriores legislativas açorianas, o PS venceu com 46,4% dos votos, o que se traduziu em 30 mandatos no parlamento regional, contra 30,89% do segundo partido mais votado, o PSD, com 19 mandatos, e 7,1% do CDS-PP (quatro mandatos).

O BE, com 3,6%, obteve dois mandatos, a coligação PCP/PEV, com 2,6%, um, e o PPM, com 0,93% dos votos expressos, também um.


 
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