Líbano realiza amanhã eleições presidenciais


 

Lusa / AO online   Internacional   24 de Set de 2007, 18:09

O Líbano realiza terça-feira eleições presidenciais mas tanto a maioria como a oposição já se disseram conformadas com um previsível adiamento, dada a falta de qualquer acordo político.
O prazo fixado pela Constituição para a eleição do Presidente pelo Parlamento iniciou-se hoje e termina daqui a dois meses, a 24 de Novembro, data em que expira o mandato do actual chefe de Estado, o pró-sírio Émile Lahoud.

O presidente do Parlamento, Nabih Berri, convocou os deputados para terça-feira num contexto de grave crise política agravada pelo assassínio, na semana passada, de mais um deputado da maioria anti-síria, o quarto desde o atentado que matou o ex-primeiro-ministro Rafic Hariri em Fevereiro de 2005.

A Constituição libanesa determina que a eleição presidencial seja feita pelo parlamento, por dois terços dos votos (85) à primeira volta, e por maioria absoluta (65) a partir da segunda volta.

Berri, próximo da maioria anti-síria, tem-se esforçado por encontrar um candidato que reúna o consenso da maioria e avisou que vai adiar a votação se, no início da sessão, não estiverem presentes dois terços dos deputados.

Mas Berri insiste que, se isso acontecer, vai ignorar essa sessão e, na próxima reunião do colégio eleitoral, actuar como se nada se tivesse passado e realizar uma nova primeira volta.

A maioria (68 dos 128 deputados) opõe-se a esta medida e afirma que, na vez seguinte, não vai abdicar de eleger um Presidente por maioria absoluta.

"A maioria não vai submeter votos por respeito ao facto de na primeira volta serem exigidos dois terços, mas também vai abrir mão do seu direito constitucional de eleger por maioria absoluta na segunda volta, mesmo sem um acordo", explicou um dos ministros do governo anti-sírio de Fouad Siniora, o ministro das Telecomunicações, Marwan Hamadé.

A oposição (58 deputados), por seu lado, invoca uma tradição ao abrigo da qual a regra constitucional dos votos necessários é interpretada como relativa a um quórum, o que lhe permitiria, através da ausência dos seus deputados, impedir a eleição de um candidato.

"É certo que não vai haver quórum. Até agora não há acordo político seja sobre o que for", explicou o deputado Alain Aoun, da oposição cristã (22 deputados).

O movimento radical xiita do Hezbollah já fez saber que os seus 14 deputados não vão estar presentes na sessão de terça-feira se até lá não houver acordo quanto a um candidato.

"Penso que não vai haver nada de novo até amanhã (terça-feira) que permita a eleição de um presidente. Mas estou certo de que amanhã vamos ter uma oportunidade a não desperdiçar de relançar o diálogo", disse ainda Marwan Hamadé.

Um político próximo do presidente do parlamento, o deputado do movimento xiita Amal Ali Bazzi, indicou que vai haver nova sessão eleitoral depois do fim do Ramadão, a 17 ou a 17 de Outubro.
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