Lajes do Pico quer candidatar bote baleeiro a património da UNESCO

A Câmara Municipal das Lajes quer candidatar o bote baleeiro a património da UNESCO em 2027 para proteger “aquilo que tanto orgulha”.



A Câmara Municipal das Lajes do Pico quer candidatar o bote baleeiro a património da UNESCO em 2027, após o reconhecimento da atividade baleeira como Património Imaterial Português, para proteger “aquilo que tanto orgulha” a identidade açoriana.

“A primeira candidatura foi entregue no dia 21 de junho do ano de 2025 ao Património [Cultural] Imaterial Português. Ela está em fase de análise, só após ser aprovada é que será entregue a candidatura à UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura)”, disse à agência Lusa a presidente da Câmara Municipal das Lajes do Pico, Ana Brum (PS).

A autarca adiantou que o município está “em fase de contratação pública da empresa que entregou a candidatura do barco moliceiro” de Aveiro para fazer também a candidatura da arte da carpintaria naval da região açoriana, traduzida nos barcos baleeiros, admitindo que os responsáveis “gostavam que ela fosse entregue a março de 2027, no máximo [até] março de 2028, para depois, então, poder ser avaliada pela UNESCO”.

Ana Brum falava à Lusa a propósito de a autarquia ter assinado, na terça-feira, um contrato com o mestre João Tavares, de 80 anos, o mais antigo construtor de botes baleeiros açorianos, para reconstrução do “Maria Regina”, com a matrícula H-53-EST.

O bote que vai ser reconstruído era o único do Clube Náutico das Lajes e da Câmara Municipal das Lajes do Pico que ainda não tinha sido reabilitado. Como só existem dois construtores de botes baleeiros na Região, a autarquia está em “contrarrelógio para não se perder” a identidade naval associada à cultura baleeira.

“A verdade é que agora quisemos reabilitá-lo como o último que se utilizava aqui nas Lajes e que não estava em condições, para que todos os botes que estavam em utilização pelo clube possam estar em condições e possamos mostrar orgulhosamente aquilo que tanto nos caracteriza”, justificou.

A autarca socialista vincou que a reconstrução do barco, que vai custar cerca de 58 mil euros, é importante por ser um elemento que está associado à entrega, no ano passado, da candidatura da atividade baleeira ao Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial.

A iniciativa reforça o compromisso do município “na valorização do património cultural e identitário das Lajes do Pico, garantindo que as futuras gerações possam conhecer e apreciar a riqueza histórica e artesanal dos botes baleeiros”.

“E a verdade é que, no Pico, apenas existem dois construtores navais de botes baleeiros e este conhecimento está a perder-se. E é por isso que essa candidatura é muito urgente, porque tem um plano de salvaguarda a 10 anos e nesse plano de salvaguarda temos vários projetos, nomeadamente este, que é a reconstrução de uma matrícula [um barco que foi utilizado na pesca da baleia] que estava completamente apodrecida”, explicou.


PUB