Justiça norte-americana declara nulo julgamento de mulher acusada de matar os três filhos

A justiça norte-americana anulou o julgamento de uma mãe acusada de matar os seus três filhos, depois de os jurados não terem chegado a um acordo sobre o veredicto



O juiz suspendeu por uma hora a sua decisão para dar tempo à defesa da acusada, Lindsay Clancy, para recorrer.

"Não tenho outra escolha senão declarar o julgamento nulo", disse o juiz William Sullivan, num caso que desencadeou um intenso debate sobre a saúde mental das mães, nomeadamente no pós-parto, nos Estados Unidos.

Para chegar a um veredicto, é necessária a unanimidade dos 12 jurados, mas o júri estava aparentemente dividido entre 11 jurados a favor da absolvição com base na falta de responsabilidade criminal de Lindsay Clancy e um contra este veredicto, segundo o estado das deliberações que foram conhecidas através das trocas entre o juiz, a defesa e a acusação.

A conclusão de um "júri bloqueado" ocorre quando o juiz tem de tomar nota de que, após vários dias de deliberações, os jurados não conseguem chegar a um acordo. Neste caso, o julgamento é cancelado e pode ser realizado mais tarde, com um novo júri.

Lindsay Clancy de 36 anos, enfrenta uma pena de prisão perpétua pelo assassinato dos seus filhos com 5 anos, 3 anos e 8 meses.

A acusada, que está numa cadeira de rodas depois de ter tentado suicidar-se após este triplo infanticídio, admite os factos mas declara-se inocente, alegando que sofria de psicose pós-parto. Segundo ela, uma voz ordenou-lhe que matasse os filhos.

Um argumento rejeitado de imediato pela acusação, segundo o qual a mulher planeou os homicídios e conseguiu compreender a dimensão do seu ato.

Este caso ganhou um grande mediatismo e desencadeou um intenso debate público nos Estados Unidos sobre a saúde mental das mães. No banco das testemunhas, psiquiatras, familiares, bem como o ex-marido da acusada e pai das crianças, descreveram o sofrimento em que a mãe se sentiu mergulhada.

Dezenas de mulheres reuniram-se durante semanas à porta do tribunal para mostrar o seu apoio a Lindsay Clancy. Esperam que o caso aumente a consciencialização para a psicose pós-parto, uma perturbação que afeta uma a duas mulheres em cada 1.000 partos, segundo grupos de defesa dos direitos das mulheres.

Uma parte da opinião pública também ficou indignada com a violência destes infanticídios e com o apoio recebido pela acusada.

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