Julgamento das alegadas agressões da PJ a Leonor Cipriano prossegue em Faro


 

Lusa/AO online   Nacional   18 de Nov de 2008, 10:56

O julgamento ligado às alegadas agressões de elementos da Polícia Judiciária (PJ) a Leonor Cipriano, mãe de Joana a cumprir pena de prisão, prossegue esta terça-feira no Tribunal de Faro com a audição de testemunhas da acusação e defesa.
  A última sessão do julgamento, dia 04 deste mês, ficou marcada com o testemunho da médica Irene Posalaky da prisão de Odemira, onde Leonor Cipriano esteve em prisão preventiva e está actualmente a cumprir uma pena de prisão de 16 anos pelos crimes de homicídio qualificado e ocultação de cadáver.

    Irene Posalaky admitiu ter visto a 18 de Outubro de 2004 Leonor Cipriano com várias lesões na cara, peito, costas, braços e joelhos e que os ferimentos não eram fruto de uma queda nas escadas.

    Uma outra testemunha arrolada neste processo, Natália Silva, funcionária da prisão de Odemira que fotografou as lesões alegadamente infligidas a Leonor Cipriano, confirmou também em tribunal que Leonor Cipriano tinha "nódoas roxas" na face e no tronco e que recebeu "ordens superiores" para tirar as fotos.

    Natália Silva, que trabalha na área administrativa do estabelecimento prisional, disse ter a certeza que as fotografias foram captadas numa sexta-feira, dia 15 de Outubro de 2004, confirmando também ter sido ela a passá-las para uma disquete.

    A sessão de 29 de Outubro ficou marcada com o depoimento de um dos guardas prisionais da cadeia de Odemira que admitiu, por seu turno, que a directora do estabelecimento lhe terá sugerido para alterar o relatório onde eram descritas as lesões.

    Este processo das alegadas agressões a Leonor Cipriano por inspectores da PJ está relacionado com o denominado "caso Joana", que remonta a 12 de Setembro de 2004, dia em que a menina, de oito anos, desapareceu da aldeia de Figueira, Portimão, Algarve.

    A mãe, Leonor Cipriano, e o tio, João Cipriano (ambos irmãos), estão condenados pelo Supremo Tribunal de Justiça a 16 anos de prisão cada um, pelos crimes de homicídio e ocultação de cadáver da criança.

    As acusações do Ministério Público contra os inspectores da Judiciária surgiram na sequência dos interrogatórios na PJ de Faro.

    Três inspectores são acusados de crime de tortura, um é acusado de não ter prestado auxílio e omissão de denúncia e um quinto é acusado de falsificação de documento.

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