Europeias

Jorge Félix Cardoso suspende universidade e entrega-se à campanha


 

Lusa/Ao online   Nacional   14 de Abr de 2019, 11:57

Jorge Félix Cardoso suspendeu os mestrados em Medicina e em Filosofia Política para se entregar à “intervenção cívica” de “levar os jovens às urnas” nas próximas eleições para o Parlamento Europeu, agendadas para 26 de maio.

Editor de conteúdos do portal ID Europa, projeto do Conselho Nacional da Juventude, apoiado pelo Parlamento Europeu, Jorge Félix Cardoso considerou que esta entrega à Europa “seria incompatível com a vida universitária” e decidiu suspender os estudos.

“Pareceu-me que seria uma causa em que deveria investir. O projeto europeu passa por tempos muito difíceis. São eleições que vão marcar os próximos cinco anos, que são cinco anos absolutamente cruciais para se perceber se a União Europeia recupera de algumas crises que teve ou se é o culminar de um projeto relativamente recente, apesar de tudo”, explica à Lusa.

“Para o ano haverá universidade, certamente. Não é por isso que vou deixar de ter um curso superior e de seguir a minha vida. Mas, parece-me muito mais relevante, neste momento, trabalhar para esta causa do que propriamente estar a estudar o que quer que seja numa universidade”, compara. “É um tema que me apaixona”, resume.

O portal ideuropa.eu, com atualidade noticiosa sobre a Europa, acompanhamento da campanha em Portugal e “explicadores” sobre o funcionamento da União, tenta “desconstruir o europês numa linguagem mais apelativa para os jovens”, descreve o editor.

Para além do portal, o projeto ID Europa – que tem como objetivo do projeto “levar os jovens às urnas, de forma informada” – nomeou uma equipa de jovens embaixadores para seis “temas cruciais em jogo” nas próximas eleições: direitos humanos, direitos sociais, migrações e inclusão, ciência e tecnologia, ambiente e futuro da Europa.

Estes embaixadores vão “andar pelas universidades portuguesas”, em todo o país, para mobilizar os jovens para o voto. “Já que os jovens não vão a política, a política vai aos jovens, e a Europa vai aos jovens”, diz Jorge Félix Cardoso, embaixador para o futuro da Europa.

Refletindo sobre a adesão dos jovens portugueses à greve mundial de estudantes “por um clima seguro", desencadeada pela sueca Greta Thunberg, destacou que, “quando há uma causa que importa, os jovens não perderam o desígnio político, os jovens mobilizam-se”.

A adesão foi “muito relevante” e mostrou que “a política pode ser feita para os jovens”, desde que não seja “a política do antigamente”, mas sim a que responde às “novas causas” e aos “problemas que são relevantes para o futuro”, considera.

O universitário sublinha, porém, a falta de respostas dos partidos políticos ao que aconteceu. “O único partido que me pareceu aproveitar o acontecimento para divulgar as suas propostas foi o Livre”, destaca.

“Houve alguns que apoiaram a iniciativa, mas não aproveitaram para dizer que, perante esta crise e esta mobilização e interesse dos jovens, o que têm para oferecer é x, y e z”, lamenta.

“Os jovens que se manifestaram manifestaram-se de uma forma muito clara (…) a favor de uma ação que pretende colmatar um problema grave, que afeta todos, que afeta o futuro”, assinala, perguntando: “Não há propostas para resolver isto? Não há vontade política para conquistar um eleitorado que sai à rua e que se mobiliza? Parece-me uma falta de visão também dos nossos líderes políticos e da opinião pública”.

Também os “comentadores habituais” tiveram uma reação “contraproducente para aquilo que tanto se prega: colocar os jovens a participar no processo político, colocar os jovens a ter ideias, a contribuir para o debate, a ir votar e a vislumbrar um futuro”, analisa.

“Os comentadores habituais, que passam a vida a pregar contra os jovens, que os jovens não fazem nada, que estão no sofá, que gostam é de beber uns copos e que não se mexem, e depois os jovens saem à rua e vêm dizer ‘ah, se eles desligassem a luz ao sair do quarto ou se tomassem banhos curtos é que faziam bem’”, critica.


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