Justiça

Jerónimo pede que "Face Oculta" prossiga para contrariar ideia de impunidade

Jerónimo pede que "Face Oculta" prossiga para contrariar ideia de impunidade

 

Lusa/AO online   Nacional   7 de Nov de 2009, 13:53

O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, apelou hoje para que a investigação do processo “Face Oculta” prossiga e produza resultados, manifestando-se preocupado com o sentimento que disse existir entre os portugueses de impunidade “para alguns”.

“A investigação deve prosseguir e ter concretização, não ser um fogo-fátuo”, disse hoje aos jornalistas Jerónimo de Sousa, à margem de um almoço-convívio do PCP na Baixa da Banheira.  O líder comunista confessou-se preocupado que se instale entre os portugueses “um sentimento de impunidade nesses grandes processos, que acabam por não ter desfecho”. “Sem nenhuma precipitação nem julgamentos apressados, a investigação tem de ter resultados e a justiça tem de dar resposta a este sentimento da impunidade para alguns, de uma justiça que é diferente mas deveria ser igual para todos”, sublinhou Jerónimo de Sousa. O dirigente do PCP considerou que as escutas de conversas entre José Sócrates e Armando Vara, um dos arguidos no processo, são “elementos que, a terem fundamento, devem ser parte constitutiva da investigação”, e considerou também a situação justifica esclarecimentos por parte do primeiro-ministro. “A haver alguns desenvolvimentos, justificará também alguns esclarecimentos. Usando uma expressão do primeiro-ministro, quem tiver de se defender, que se defenda”, sustentou.  Jerónimo de Sousa considerou precipitada a ideia de que o que está em causa é uma espécie de polvo envolvendo partidos e empresas públicas, e lamentou que administrações de empresas do Estado “muitas vezes” façam uma “má gestão e algum aproveitamento” dos bens públicos.  A Polícia Judiciária (PJ) desencadeou no dia 28 de Outubro a operação "Face Oculta" em vários pontos do país, no âmbito de uma investigação relacionada com alegados crimes económicos de um grupo empresarial de Ovar que integra a O2-Tratamento e Limpezas Ambientais, a que está ligado o empresário Manuel José Godinho, que está em prisão preventiva, no quadro deste processo. No decurso da operação foram efectuadas cerca de 30 buscas, domiciliárias e a postos de trabalho, e 15 pessoas foram constituídas arguidas, incluindo Armando Vara, vice-presidente do Millennium BCP, José Penedos, presidente das Redes Eléctricas Nacionais (REN), e o seu filho Paulo Penedos, advogado da empresa SCI-Sociedade Comercial e Industrial de Metalomecânica SA, de Manuel José Godinho. Um administrador da Indústria de Desmilitarização da Defesa (IDD) também foi constituído arguido no processo "Face Oculta", segundo o presidente da EMPORDEF, a holding das indústrias de defesa portuguesas.


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