Jerónimo de Sousa considera pressão de António Costa “inaceitável”

Jerónimo de Sousa considera pressão de António Costa “inaceitável”

 

AO Online/ Lusa   Nacional   4 de Mai de 2019, 03:36

O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, considerou esta sexta feira "inaceitável" a posição do primeiro-ministro, que ameaçou demitir-se caso a contabilização de todo o tempo de serviço dos professores seja aprovada em votação final global.

Em Coimbra, no final de um pequeno comício, o líder comunista disse que achou "profundamente estranho que o Governo avance com uma pressão inaceitável sobre quem está de acordo com este avanço, que só se entende por mero calculismo político e eleitoral".

"Vamos manter a nossa proposta e o nosso empenhamento para que [a lei] seja aprovada. O nosso compromisso não é com o PS, é com os trabalhadores e com o povo", sublinhou Jerónimo de Sousa aos jornalistas.

Para o secretário-geral do PCP, a posição do primeiro-ministro vai contra "o progresso já adiantado no Orçamento de 2017 e 2018, num objetivo de inteira justiça que é a reposição do tempo de serviço, não só para professores como para outros setores".

Comentando as palavras de António Costa sobre o encargo financeiro de algumas centenas de milhões de euros que a medida representa, Jerónimo de Sousa lamentou que o primeiro-ministro "não tivesse a preocupação dos portugueses que têm de pagar, por exemplo, mil milhões de euros que foram atribuídos recentemente ao setor financeiro".

"Dois pesos e duas medidas, mas continuamos a dizer que é possível concretizar esse objetivo, que é preciso andar para a frente e ter em conta a sua justeza", referiu o líder comunista.

Segundo o dirigente, o Governo socialista "fez uma má opção ao não reconhecer justiça a este setor da sociedade portuguesa".

"O Governo está a andar para trás quando devia andar para a frente", frisou Jerónimo de Sousa, considerando que os fundamentos em que o Governo assenta a sua pressão "parte de uma base errada e não rigorosa".

Por fim, o secretário-geral do PCP garantiu que "nada altera" a posição do partido "de continuar a lutar para que [a lei] se concretize ".

"Se tivermos de prestar contas é ao trabalhadores e ao povo e não ao PS", sublinhou.

O primeiro-ministro afirmou hoje que comunicou ao Presidente da República que o se Governo demite caso a contabilização total do tempo de serviço dos professores seja aprovada em votação final global.

"Ao Governo cumpre garantir a confiança dos portugueses nos compromissos que assumimos e a credibilidade externa do país. Nestas condições, entendi ser meu dever de lealdade institucional informar o Presidente da República [Marcelo Rebelo de Sousa] e o presidente da Assembleia da República [Ferro Rodrigues] que, a aprovação em votação final global desta iniciativa parlamentar forçará o Governo a apresentar a sua demissão", declarou.

Esta advertência foi feita por António Costa numa declaração ao país, depois de ter estado reunido cerca de 40 minutos com o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, na sequência da crise política aberta com a aprovação pelo parlamento, apenas com os votos contra do PS, da recuperação do tempo total de serviço dos professores no período em que houve congelamento de progressões.


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