Médio Oriente

Israelitas e palestinianos forçam mudanças de última hora

O ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Bernard Kouchner, reconheceu hoje que na declaração final da cimeira da União para o Mediterrâneo em Paris houve mudanças de “última hora” sobre a questão israelo-palestiniana.


Em declarações à rádio Europe 1, Kouchner lamentou “um último momento de bloqueio entre israelitas e palestinianos que implicou que o texto tivesse que ser corrigido”.

    “No último momento, bloqueamos, talvez durante meia hora, a propósito de uma palavra”, adiantou o ministro. Esta palavra, explicou, diz respeito “ao Estado nação, o Estado nacional e democrático”.

    Mais globalmente, o chefe da diplomacia francesa considerou que na cimeira foram propostos projectos mas que depois é necessário passar à acção.

    Com a palavra “nacional”, afirmou Kouchner, “subentende-se uma dificuldade sobre o regresso dos refugiados” e sobre “o Estado judeu e não judeu, e o Estado palestiniano”.

    O parágrafo da declaração final da cimeira não tem uma referência directa ao conceito Estado quando fala da negociação israelo-palestiniana e remete para a reunião euro-mediterrânica de Lisboa de Novembro de 2007 e para a de Annapolis (Estados Unidos).

    Fontes palestinianas citadas por meios franceses afirmaram, por outra parte, que os israelitas insistiram em introduzir o conceito de “Estado para o povo judeu”, ao que se negaram.

    A cimeira, segundo a declaração, recorda que “a paz no Médio Oriente requer uma solução global” e congratula-se “com o anúncio de que a Síria e Israel tenham iniciado conversações de paz indirectas sob mediação da Turquia”.

    Na reunião de Lisboa em 2007, falou-se de preparar o terreno para a formação de “dois Estados nacionais”, enquanto em Annapolis, também em Novembro de 2007, se falava do “objectivo de chegar a dois Estados, Israel e Palestina”.

    O chefe da diplomacia francesa congratulou-se com “o acontecimento magnífico” da cimeira, que oficialmente lançou a União para o Mediterrâneo na presença dos dirigentes de 43 países e terminou com a adopção de uma declaração final de uma dezena de páginas.

    Kouchner afirmou que o encontro “teve a paz como painel de fundo”.
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