ISN quer mais torres de emergência em praias não vigiadas

ISN quer mais torres de emergência em praias não vigiadas

 

Lusa / AO online   Nacional   27 de Set de 2007, 16:22

O Instituto de Socorros a Náufragos (ISN) anunciou que pretende alargar a todo o país a instalação de torres de emergência em praias não vigiadas, o que permite dar respostas muito mais rápidas em casos de afogamentos e outros incidentes.
Segundo o porta-voz do ISN, comandante Nuno Leitão, com estas torres (denominadas Talking SOS) instaladas em praias não vigiadas, basta dar um toque num botão de alarme ali existente para que seja dado o alerta.

Estas torres apenas existem nas praias não vigiadas do concelho de Mafra, no âmbito de uma parceria realizada, este ano, entre a autarquia e a Fundação Vodafone, com colaboração do INS.

"Recebemos 78 toques de emergência. Não houve nenhuma morte por afogamento", sustentou o porta-voz.

Referiu que o sinal é directamente encaminhado para uma das viaturas do projecto "Seamaster", pick-ups de caixa aberta equipadas com material de socorro e salvamento do ISN, que realizam patrulhas pelas praias portuguesas.

Entre 1998 e 2006, as 220 viaturas do projecto "Seamaster" realizaram 562 salvamentos e participaram em 817 acções de salvamento.

Estas viaturas realizaram ainda 708 buscas a crianças perdidas e deram 2.293 assistências de primeiros socorros, percorrendo 2.567 mil quilómetros de praias não vigiadas.

As "seamaster" existem "desde Caminha a Vila Real de Santo António, incluindo os Açores e a Madeira", acrescentou o comandante Nuno Leitão.

Em sua opinião, a instalação de torres de emergência noutros concelhos do litoral do país permitiria dar uma assistência muito mais rápida nos locais não vigiados destinados a banhistas.

Portugal tem 350 quilómetros de praias não vigiadas, locais onde se registam "o maior número de acidentes mortais", acrescentou o responsável.

Nuno Leitão, que falava à Lusa à margem da Conferência Mundial de Salvamento Aquático, a decorrer no centro de Congressos da Exponor, Matosinhos, afirmou que, em média, em Portugal morrem entre 10 a 15 pessoas por ano por afogamento em praias (fluviais e marítimas) que estão sob a jurisdição marítima.

"A época balnear apenas termina no fim deste mês, sendo que ocorreram já três mortes em praias vigiadas e sete em praias não vigiadas", disse Nuno Leitão.

Considerou que este número demonstra que Portugal regista uma baixa mortalidade nas praias, apesar de ser um país virado para o Atlântico e, consequentemente, para o turismo.

O ISN, a única entidade portuguesa que pode formar e certificar nadadores/salvadores, realiza cerca de 90 cursos gratuitos por ano para estes profissionais, formando entre 1600 a 1700 novos nadadores salvadores "todos os anos".

"Os cursos têm a validade de três anos, duram 23 dias, num total de 93 horas de formação em horário pós-laboral", disse.

Nuno Leitão afirmou que, face ao número de mortes que se registam anualmente nas praias portuguesas, os meios que o ISN dispõe são suficientes.

"O nosso objectivo é apostar na prevenção", disse o responsável, adiantando que este ano, se realizaram mais de 200 acções de sensibilização ao longo das praias.

O porta-voz do ISN salientou ainda, nas declarações à Lusa, a utilização de um protótipo de salva-vidas "sempre em pé", construído no arsenal do Alfeite.

“Tem um raio de acção de 150 milhas (cerca de 278 quilómetros), existindo já uma unidade e estando previstas mais duas até final do ano", revelou.

Sustentou tratar-se de uma embarcação em alumínio “uma dos mais rápidas do mundo (atinge cerca de 55 quilómetros/hora)”.

Pode recolher 12 náufragos sentados e um em maca, concluiu o responsável.

O salva-vidas está disponível para visitas, no Porto de Leixões, até final do mês.
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