Investigadores portugueses querem descobrir cura para disfunção eréctil


 

Lusa/AO   Nacional   15 de Nov de 2007, 08:34

A descoberta de uma terapia para a disfunção eréctil nos diabéticos é o objectivo de um inédito projecto de investigação que vai ser realizado por dois especialistas portugueses e já mereceu uma distinção pela European Society for Sexual Medicine.
“Inevitavelmente, o diabético, mais tarde ou mais cedo, vai sofrer de disfunção eréctil, que resulta de uma quebra na vascularização”, afirmou o urologista Pedro Vendeira, que lidera este projecto juntamente com a bióloga Carla Costa.

    Os dois investigadores da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto receberam 30 mil euros da European Society for Sexual Medicine para financiar uma investigação que pretende estudar melhor este problema, de forma a lançar novas perspectivas para o seu tratamento.

    “Numa fase inicial, pretendemos ver o que se passa em termos moleculares. Sabe-se que o tecido peniano está alterado, pelo que pretendemos testar uma forma de obter células novas, indiferenciadas, a partir da medula óssea, que permitam revitalizar o tecido peniano”, resumiu o investigador, em declarações à Lusa.

    A ideia, segundo Pedro Vendeira, é “pegar em células saudáveis que se encontram na medula óssea e colocá-las onde são precisas”.

    Numa primeira fase, que se deverá prolongar por cerca de dois anos, os investigadores vão trabalhar com ratos de laboratório e, caso os resultados permitam, a segunda fase envolverá investigação em seres humanos.

    Na perspectiva de Pedro Vendeira, o sucesso desta investigação poderá criar condições para que o problema da disfunção eréctil nos diabéticos possa “começar a ser tratado ainda antes de aparecer”.

    “A disfunção eréctil é inevitável nos diabéticos, pelo que, se soubermos como revitalizar o tecido peniano, poderemos começar a tratar o problema numa fase mais precoce”, afirmou.

    Os homens diabéticos têm uma maior probabilidade de vir a sofrer de disfunção eréctil do que um homem sem diabetes devido aos problemas vasculares que resultam daquela doença.

    O projecto de investigação proposto por Pedro Vendeira e Carla Costa prevê, numa primeira fase, o estudo do tecido peniano de ratos de laboratório diabéticos para avaliar as alterações registadas ao nível vascular, molecular e anatómico.

    Com os resultados obtidos, os dois investigadores portugueses pretendem testar uma nova terapia que permita restaurar a função vascular no pénis dos doentes diabéticos.

    Esta investigação pioneira assume uma especial importância, atendendo a que os métodos actualmente disponíveis para abordar este problema permitem controlá-lo mas não o resolvem de raiz.
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