Instalação de sismómetros no mar termina em Novembro


 

Lusa / AO online   Nacional   31 de Out de 2007, 15:07

No mês em que se assinalam 252 anos sobre o terramoto que devastou Lisboa e o Algarve fica completa a primeira rede de sismómetros colocada no fundo do mar algarvio para estudar a actividade sísmica da região.
Durante um ano, 24 sismómetros colocados entre o Golfo de Cadiz e o Banco de Gorringe vão medir a actividade sísmica da área onde se pensa que tiveram origem os terramotos de 1755 e 1969, este menos devastador, mas que também gerou um tsunami.

Segundo disse à Lusa Maria Ana Baptista, responsável pelo projecto e especialista em tsunamis, o objectivo não é detectar a ocorrência de sismos, mas medir fenómenos de pequena intensidade para obter dados referentes àquela área.

Esta é a primeira experiência do género a acontecer no Algarve, mas já aconteceu noutras zonas do país, nomeadamente em Peniche, nos Açores e na costa alentejana.

A rede de sismómetros, que fica completa em Novembro, começou a ser instalada em Setembro na zona compreendida entre o local onde está a estação "Geostar" e o Banco de Gorringe (complexo de montes submarinos).

Aquela estação piloto - localizada a cerca de 150 quilómetros da ponta de Sagres, perto do Golfo de Cadiz - é a primeira vocacionada para o alerta precoce de tsunamis e permite detectar a ocorrência de grandes sismos.

O terramoto de 01 de Novembro de 1755, sobre o qual passam quinta-feira 252 anos, arrasou dois terços da cidade de Lisboa, mas teve também efeitos muito devastadores na região algarvia, tendo deixado submersas povoações inteiras.

Por ser menos habitada que Lisboa, a região acabou por não registar tantas vítimas, mas o terramoto abalou severamente o Barlavento (parte ocidental do Algarve), sobretudo a cidade de Lagos, embora tenha também causado fortes estragos em Faro.

Segundo a investigadora do Instituto Superior de Engenharia de Lisboa (ISEL), a onda gigante que sucedeu ao terramoto destruiu todas as construções que se erguiam nas ilhas barreira da Ria Formosa, entre Loulé e Tavira.

"Se a onda gigante galgou a Ilha de Faro, cuja altura actual é de dez metros, o seu tamanho teria de ter sido superior", observa a especialista, que explica que a massa de água que a formava deveria ter cerca de 100 quilómetros de dimensão.

"Normalmente a massa de água forma-se ao longo do comprimento da falha que origina o tsunami", explica Maria Ana Baptista, que sublinha que estas ondas "são muito diferentes" das causadas pelo vento.

O tsunami que se seguiu ao terramoto de 1755 deixou muitas vilas algarvias submersas, algumas delas acabaram por ser reconstruídas por detrás da linha de costa, mais longe do mar do que na sua localização original.

"A vila de Armação de Pêra e Quarteira ficaram totalmente devastadas e tiveram de ser reconstruídas", exemplifica, explicando tratar-se de zonas extremamente vulneráveis, por estarem muito expostas.

No caso da capital algarvia, a vulnerabilidade a um possível tsunami é menor, por estar protegida pela Ilha de Faro, o mesmo acontecendo com as povoações que têm ilhas à sua frente, como Olhão ou Tavira.

A instalação da rede de sismómetros é financiada pela União Europeia e está integrada num projecto mais abrangente, o NEAREST, que se dedica à investigação sobre potenciais fontes de tsunamis localizadas perto da costa.
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