Açoriano Oriental
Incineradora em São Miguel não chega para metas de reciclagem, diz Movimento Salvar a Ilha

O movimento cívico “Salvar a Ilha” considerou esta sexta feira que a construção da incineradora em São Miguel, como está atualmente projetado, não permite alcançar metas de reciclagem e defende que os resíduos devem ser incinerados na ilha Terceira.

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Foto: Açoriano Oriental
Autor: AO Online/ Lusa

Em declarações à agência Lusa, Filipe Tavares, representante do movimento cívico “Salvar a Ilha”, explicou que o projeto da MUSAMI – Operações Municipais do Ambiente para o Ecoparque da Ilha de São Miguel “não irá cumprir as metas comunitárias de reciclagem e que a configuração de algumas unidades de tratamento é claramente deficitária”, já que “a taxa de reciclagem prevista [no projeto] para 2024 é apenas 39%, sendo que a meta de 2025 é de 55%”, concretizou.

O movimento que junta várias associações ambientalistas reuniu-se hoje de manhã com a Associação de Municípios da Ilha de São Miguel (AMISM) e com representantes da MUSAMI, deixando várias recomendações, das quais se destaca “o envio do refugo de São Miguel para eliminação na ilha Terceira”.

“De acordo com um relatório recente da TERAMB [Empresa Municipal de Gestão e Valorização Ambiental da Ilha da Terceira], que detém a incineradora da ilha Terceira, para onde são encaminhados os refugos de sete ilhas do arquipélago, a capacidade de incineração instalada nesta ilha é de 55.000 toneladas/ano. Atualmente, estão a queimar na ilha Terceira 24.000 toneladas/ano, o que deixa uma margem excedentária na ordem das 31.000 toneladas, que é suficiente para absorver o refugo de São Miguel”, concretizou o ambientalista.

Contactado pela Lusa, o presidente da Câmara de Ponta Delgada, que preside também à AMISM, José Manuel Bolieiro, considerou que “esta reunião foi um ponto de partida e não um ponto de chegada” e que ambas as partes “vão manter o diálogo na busca de soluções”.

O processo de construção da incineradora em São Miguel arrasta-se desde dezembro de 2016, altura em que a AMISM decidiu, por unanimidade, avançar com a construção.

Além das contestações por parte de associações ambientalistas, o concurso para a construção da incineradora na maior ilha dos Açores esteve sob alçada da justiça devido a queixas por parte de um dos concorrentes, a empresa Termomeccanica, que foi excluída em detrimento do consórcio luso-alemão formado pela CME e Steinmüller Babcock Environment.

Em outubro passado, o Tribunal Administrativo e Fiscal de Ponta Delgada decidiu anular a adjudicação da construção da incineradora ao consórcio CME/Steinmuller Babcok Environment, por parte da Musami - Operações Municipais do Ambiente, EIM SA.

Na altura, o movimento "Salvar a Ilha", composto por várias associações ambientalistas, congratulou-se com a decisão judicial de anular a adjudicação, pedindo que o projeto fosse "blindado".

Em dezembro, os seis municípios de São Miguel decidiram avançar com um novo concurso para a construção de uma incineradora na ilha açoriana, com menos 30 por cento da capacidade inicialmente prevista, projeto orçado em 4,3 milhões de euros.

O Bloco de Esquerda contestou a decisão, apresentando um projeto de resolução no parlamento açoriano para travar a iniciativa, que contou apenas com o voto favorável do deputado único do PPM, tendo sido chumbado.



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