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Incidente ensombra medida de Carlos César para as PME

Incidente ensombra medida de Carlos César para as PME

 

João Alberto Medeiros   Regional   16 de Out de 2008, 11:36

Empresários iam chegando a vias de facto na iniciativa da Câmara de Comércio e Indústria de Ponta Delgada em que o orador foi o candidato do PS/Açores. Já na RTP/Açores, César disse à saída de um debate que aceitará qualquer que seja a votação dos açorianos, mas a maioria é bem-vinda
Carlos César foi  terça-feira anunciar a criação de uma linha de crédito, no valor de 30 milhões de euros, destinado às PME,num jantar promovido pela Câmara de Comércio e Indústria de Ponta Delgada.
Mas o jantar ficaria, no entanto marcado por um incidente protagonizado por um empresário ligado ao ramo imobiliário, António Machado.
O empresário, perante casa cheia, numa unidade hoteleira de Ponta Delgada, escolheu como alvo os seus colegas e acusou-os de praticarem baixos salários, na ordem dos 400 euros, valor que afirmou gastarem numa noite ao jantar.
António Machado foi mais longe e perguntou mesmo quem é que entre os colegas pagava horas extraordinárias aos seus trabalhadores, que referiu estarem a ser explorados.
Perante o embaraço provocado na sala por António Machado, houve empresários que se levantaram na direcção da porta, e que estiveram em vias de se lançarem para a agressão física.
Outros tiveram que recorrer a água para evitar males maiores, mas não há dúvida que a temperatura ambiente subiu imenso...
A situação viria a ser entretanto normalizada, tendo os empresários voltado aos seus lugares.
A linha de crédito para as PME anunciada pelo líder do PS visa empresas que se confrontem com dificuldades financeiras, que beneficiarão de uma taxa Euribor de 1,5%.
O líder socialista açoriano revelou ainda no painel de empresários que pretende aumentar a participação privada na EDA.
No caso da SATA, admite parcerias com uma componente privada, mas a Região manterá sempre a maioria do capital social.
O candidato a presidente do Governo revelou entretanto que a dívida directa dos Açores é de 274 milhões de euros, o que representa 9 por cento do PIB.
No caso da República, este valor é de cerca de 70 por cento do PIB.O presidente do PS referiu, por outro lado, que o Governo dos Açores conseguiu criar uma almofada, graças à saúde das contas públicas, que permitirá fazer face a situações de emergência como a actual situação de crise financeira.
No quadro do Orçamento de Estado para 2009, disse que estão asseguradas para a Região, em sede de IRS, deduções de vária ordem.

Aceitar o mandato popular
Carlos César foi entretanto, ontem, à RTP/Açores, ao debate com os restantes líderes dos partidos concorrentes às eleições legislativas regionais.
No final, deixou claro que governará “de acordo com o mandato que me for conferido pelos açorianos”.
“Não faço exigências nem chantagens com os açorianos, mas governar com maioria absoluta é uma forma de governar mais segura que garante maior estabilidade política e social”.
“Eu já governei com maioria relativa e o que aconteceu depois de ter tido mais votos, mais deputados e de ter ganho as eleições,  foi que o dr. Costa Neves, que nem sequer tinha participado nas eleições, tentou um golpe palaciano para derrubar o Governo” - lembrou.
Carlos César deixou ainda a mensagem que “se entenderem que eu devo ir para a oposição é nela que devo cumprir o meu dever, mas se for governar com uma maior ou menor maioria, é neste contexto que eu vou também continuar a servir os açorianos”.
Durante o debate na televisão açoriana, Carlos César reconheceu a existência de dificuldades nos Açores,com consequências no consumo, mas baseadas em factores externos ditados pela crise internacional.
No entanto, salvaguardou que a economia regional está a crescer a 2 por cento ao ano e que nos Açores apenas existem 72 casos de salários em atraso.
Carlos César disse que nunca deixou de reconhecer a existência de dificuldades derivadas da crise internacional, mas tem trabalhado para evitar os seus “efeitos perversos”.
O Estatuto dos Açores foi outra das questões levantadas, tendo o candidato socialista referido que o prazo para o Presidente da República se pronunciar já está esgotado e que o PS na Assembleia da República vai manter o seu voto.

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