É um ex-Campeão dos Açores de Ralis e viveu uma época dourada no automobilismo. “Não faz sentido nenhum deixar morrer a Volta à Ilha”, afirma Luís Franco, que recorda “as reportagens lindíssimas” que se faziam sobre o rali açoriano e que eram uma “grande publicidade aos Açores”, numa Europa onde “há milhões de pessoas que gostam de ver ralis”.
Luís Franco fez ralis num tempo em que a Volta à Ilha era um rali consolidado no Campeonato Nacional e muito apreciado entre os pilotos continentais, ao mesmo tempo que já tinha a ambição de fazer parte do Campeonato da Europa. Nesse tempo, recorda Luís Franco, “havia um grande entusiasmo, com milhares de pessoas por cima dos muros e por todo o rali havia gente a ver”.
Luís Franco é natural de Ponta Delgada, tem 83 anos e atualmente está reformado. Durante a sua vida profissional, começou nos seguros, mas depois foi empresário, tendo-se dedicado a vários negócios, das embalagens à pecuária e laticínios, passando por uma Casa de Fados e pela extração de areia do mar para a construção civil. Em jeito de graça recorda: “Fiz tanta coisa que acho que acabei por não saber fazer nada bem feito, nem sequer os ralis”!
E por falar em ralis, o gosto pelas corridas vem da juventude de Luís Franco e já “do tempo em que andei na tropa e gostava de ir ver os circuitos”. Na altura, recorda Luís Franco, dizia a si próprio: “qualquer dia tenho um carro”!
A oportunidade surgiu quando comprou um Mini Cooper S e tentou a sua sorte numa prova em São Miguel, ainda nos primeiros anos dos ralis, no início da década de 1970, em que se corria por regularidade em todo o percurso do rali e não em provas de classificação, como agora. Ao seu lado levou ‘Tony’ Baltazar, conhecido empresário da restauração em Ponta Delgada. E logo ali, apesar da boa prestação no rali, começaram as peripécias.
“Para o fim, eu já não
sabia se haveria de entrar ou não no controlo, porque ele tinha três
relógios e nenhum condizia com o outro”, recorda Luís Franco, que ainda
se ri com esta história.
A carreira de Luís Franco nos ralis
prolongou-se por década e meia. Isto apesar da forte oposição da sua
primeira mulher que, recorda, “ficava sempre danada comigo quando eu
entrava em ralis e acabei mesmo por parar durante uns tempos”.
O
ponto alto de Luís Franco nos ralis foi o título de Campeão dos Açores
de Ralis, obtido em 1984, ao volante de um Ford Escort RS 1800. Este foi
também o ano em que obteve a sua única vitória à geral, no Rali de
Santa Maria.
“Tinha muitos segundos lugares e às tantas já desconfiava porque é que era tão bom para o segundo lugar e nunca para o primeiro”, recorda a rir-se. “E já desconfiava um pouco dos relógios”, afirma.
Refira-se que nesse tempo, a cronometragem ainda era feita manualmente e não de forma eletrónica, como agora, pelo que eram muitas as polémicas sobre os tempos das classificativas, conforme quem estava na tomada de tempo era mais a favor do piloto ‘x’ ou ‘y’, parando o cronómetro quando o piloto ainda vinha longe da tomada de tempo... E estas polémicas aconteciam também no continente. Não apenas nos Açores.
O Ford Escort RS 1800 com que Luís Franco foi Campeão dos Açores de Ralis, com a sua cor azul, quase sem patrocínios, tinha sido um antigo carro de Carlos Torres, conhecido piloto português de ralis nas décadas de 1970 e 1980. Um bom carro para aquele tempo, mas que “não tinha uma suspensão apropriada para a cavalagem”, lembra Luís Franco. Com esse carro, recorda o antigo piloto, “tive um grande desastre nas Sete Cidades com o Carlos Riley”, irmão do também Campeão dos Açores de Ralis, Mário Riley. “Demos várias cambalhotas e fomos parar os dois ao hospital”, lembra Luís Franco.
Sobre os seus tempos nos ralis, Luís
Franco recorda ter tido “carros bons, mas sem nunca os ter bem
preparados, nem nunca tive uma assistência capaz”. Além disso, conclui
Luís Franco, “eu quase não treinava, passava uma vez nos troços e já
estava, porque eu não tinha tempo, uma vez que a minha vida era ser
empresário e não ‘rally man’”.
