Trabalho

Guarda de passagem de nível é uma profissão com dias contados


 

Lusa/AO online   Nacional   21 de Ago de 2008, 11:52

A Refer conta actualmente com 234 guardas de passagem de nível que ainda abrem e fecham cancelas em 86 travessias um pouco por todo o País, mas esta é uma profissão com os dias contados.

    Números hoje avançados à Lusa pela Refer apontam para a existência de 1241 passagens de nível em Portugal, das quais 86 com guarda.

    Estas últimas dão emprego a 234 pessoas, as guardas de passagem de nível, a quem cabe abrir e fechar cancelas e zelar pela segurança de todos quantos atravessam a via-férrea.

    No entanto, a Refer tem em curso um programa que prevê a reclassificação ou eliminação, nos próximos anos, de todas as passagens de nível, com o objectivo de reduzir a sinistralidade.

    Nos últimos anos, foram suprimidas cerca de 1200 passagens de nível e reclassificadas 500, com um investimento de 255 milhões de euros.

    "Estas medidas possibilitaram reduzir o número de acidentes em 57 por cento, passando de 153 em 1999 para 66 em 2007", garante a Refer.

    A empresa já definiu as próximas metas: menos de 51 acidentes em 2009 e menos de 29 em 2015.

    Para isso, continuará a desenvolver acções de supressão e de reclassificação das passagens de nível "de maior risco", e a desenvolver campanhas de educação e sensibilização dos utentes para os cuidados a ter no atravessamento da via-férrea.

    Já este ano, a Refer prevê a supressão de 65 passagens de nível e a reclassificação de 68, com um investimento de 24 milhões de euros.

    Duas das passagens que se preparam para ser suprimidas são as de Mazarefes, em Viana do Castelo, precisamente as últimas da Linha do Minho onde ainda trabalham cerca de 10 guardas.

    Ana Sousa, 56 anos de idade, é uma delas. Está colocada em Mazarefes há apenas cinco anos, para onde foi transferida após a electrificação do ramal de Braga, concelho de onde é natural.

    Agora, prepara-se mais uma vez para mudar de local de trabalho ou, quem sabe, mudar mesmo de vida.

    "Sempre julguei que tinha trabalho aqui até à minha reforma, mas parece que vou mesmo ter que mudar de vida. Só lhe digo que, no dia em que isto fechar, vou sentir uma grande tristeza", afirmou à Lusa Ana Sousa.

    Mais nova, Maria Olívia Franco, 50 anos, é outra das guardas das passagens de nível de Mazarefes. Já trabalhou em Coimbra, entretanto conseguiu arranjar colocação mais perto da família, que vive em Caminha, mas agora poderá ser obrigada a voltar a afastar-se.

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