José Sócrates falava após a assinatura de um protocolo entre o Governo e a aliança Renault-Nissan para a comercialização em Portugal de modelos de veículos eléctricos, que se espera poderem ser lançados em larga escala a partir de 2010.
Numa parte do discurso marcadamente política, o chefe do Governo português disse estar empenhado “em criar em Portugal um modelo com mais autonomia energética e que o torne menos dependente do petróleo”.
“Sou de uma geração que viveu os três choques petrolíferos - e com que intensidade estamos a viver agora este terceiro choque petrolífero. Este memorando de entendimento com a Renault-Nissan é o sinal que não vamos ficar parados, tal como ficamos nos primeiro e segundo choque petrolífero”, advogou José Sócrates.
Segundo o primeiro-ministro, nos primeiros dois choques petrolíferos, as economias ocidentais “muito falaram, mas nada fizeram, porque todas aceitaram pagar o imposto, que verdadeiramente é um imposto sobre toda a sociedade”.
“Pois agora a resposta a este choque petrolífero por parte de Portugal é bem clara: nós não aceitamos ficar parados, tudo vamos fazer para mudar o paradigma energético e tudo vamos fazer para que as futuras gerações não passem pelas dificuldades que estamos a passar”, disse.
Ainda no mesmo contexto, o primeiro-ministro frisou que Portugal “não poderá ficar dependente de impostos que outros [no mercado internacional] decidam lançar”.
“Queremos progredir para que Portugal não dependa tanto do petróleo. Trata-se de um longo caminho e justamente por causa disso é melhor começar a percorrê-lo já”, disse, antes de referir que Portugal, nos últimos três anos, já se encontra no grupo da frente das nações europeias em termos de produção de energias renováveis.
“Quando estamos a falar de energias renováveis o que estamos verdadeiramente a dizer é que estamos a lutar pela independência nacional, pela autonomia energética, para tomarmos nós próprios as nossas decisões e não ficarmos dependentes de outros”, declarou.
Energia
Governo recusará ficar parado perante choque petrolífero
O primeiro-ministro afirmou que o seu Governo recusará “ficar parado” perante o terceiro choque petrolífero mundial, dizendo que Portugal defenderá a sua “independência nacional” com a adopção de um novo paradigma baseado nas energias renováveis.
Autor: Lusa/AO online
