Açoriano Oriental
Governo dos Açores cria área de restrição à pesca nos bancos submarinos Mar da Prata e Princesa Alice

O Governo dos Açores apresentou uma proposta de restrição temporária à pesca em determinadas áreas dos bancos submarinos Mar da Prata, ao largo de São Miguel, e Princesa Alice, ao largo do Faial.

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Foto: Açoriano Oriental/Ana Carvalho Melo
Autor: Susete Rodrigues/AO Online/Lusa

De acordo com o secretário regional do Mar, Gui Menezes, que falava à margem do Conselho Regional das Pescas, disse que a proposta de restrição apresentada aos conselheiros se deve “ao estado de menor abundância de algumas espécies nesses bancos”, bem como “à necessidade de conciliar vários usos”.

O secretário regional salientou que, no caso do banco Mar da Prata, “há dados científicos sobre abundâncias de algumas espécies muito baixas”, como o boca negra e o goraz, frisando que “não se trata de proibir completamente a pesca” naqueles locais, adiantou em nota do executivo.

“Trata-se de fechar parcialmente uma determinada zona para permitir que as espécies se desenvolvam e depois saiam para o resto do monte submarino, o que traz benefícios aos próprios pescadores”, afirmou.

Gui Menezes disse ainda que o banco submarino Mar da Prata é “pouco utilizado” atualmente pelos pescadores, acrescentando que a Direção Regional das Pescas reuniu com associações do setor da ilha de São Miguel, que “concordaram com a medida”.

Por outro lado, Gui Menezes assegurou que a Região dispõe de “mecanismos que permitem fazer a monitorização” daqueles bancos submarinos, como é o caso de radares, acrescentando que se revelaram “eficazes” no banco submarino Condor.

Gui Menezes apontou a experiência de restrição à pesca no banco Condor como um “bom exemplo”, na medida em que “num período relativamente curto, de três ou quatro anos, foi possível registar o aumento significativo da abundância de algumas espécies, como o goraz, o que poderá acontecer também nos bancos Princesa Alice e Mar da Prata”.

O governante defendeu que esta medida, “a médio prazo, trará benefícios para a pesca”, adiantando que, paralelamente, apresenta também “benefícios para a preservação e conservação dos recursos, beneficiando outras atividades, como o mergulho, que também têm importância económica”.

As restrições agora anunciadas pelo executivo açoriano não foram, no entanto, bem aceites pela presidente da Federação das Pescas dos Açores, Gualberto Rita, que admitiu, em declarações aos jornalistas, no final do Conselho Regional das Pescas, que estas restrições vão deixar o setor "à beira de um ataque de nervos".

"O Governo [Regional] deixa o setor à beira de um ataque de nervos, porque o senhor secretário o que está aqui a propor é a restrição de duas áreas de pesca que são bastante importantes para nós, e que vai reduzir, significativamente, as nossas pescas e, consequentemente, os rendimentos dos pescadores", lamentou Gualberto Rita.

O representante da Federação das Pescas dos Açores apelou, por isso, ao executivo, para que "tenha atenção na aplicação destas medidas", por entender que poderão ser "bastante penalizadoras" para os profissionais da pesca no arquipélago.

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