Governo alemão e funcionários públicos terão vacina diferente do resto da população


 

Lusa / AO online   Internacional   17 de Out de 2009, 19:20

A chanceler Angela Merkel, os outros membros do governo alemão e os funcionários dos ministérios vão receber uma vacina contra a Gripe A diferente da que será ministrada à generalidade da população, confirmou um porta-voz do executivo.

Trata-se de uma vacina dos laboratórios norte-americanos Baxter, sem aditivos, que foi também encomendada pelo exército para ser facultada aos soldados em missão no estrangeiro.

“Comprámos 200 mil vacinas Celvapan da firma Baxter”, disse hoje um porta-voz do Ministério do Interior, confirmando uma notícia do semanário Der Spiegel.

A vacina destinada à população, excepto às grávidas, que terão outra vacina ao seu dispor, é do laboratório GlaxoSmithKline, e ao contrário do produto da Baxter tem aditivos que, segundo alguns médicos, podem provocar efeitos secundários, sobretudo alergias.

Segundo o Der Spiegel, entre os funcionários públicos que, de acordo com o plano de combate à pandemia, são responsáveis por manter a ordem pública, e têm prioridade na campanha de vacinação, contam-se os especialistas do Instituto Paul Ehrlich, o laboratório de referência para o combate à pandemia, que defenderam a sua decisão de compra da vacina da GlaxoSmithKline, mas serão vacinados com a da Baxter.

O presidente da Comissão de medicamentos dos Médicos Alemães, Wolf-Dieter Ludwig, considerou a situação “um escândalo”, e acusou as autoridades sanitárias de terem cedido a pressões da indústria farmacêutica, “que só quis ganhar dinheiro com uma suposta ameaça”.

Os médicos de clínica geral e os pediatras, através das respectivas associações, criticaram também as opções do Ministério da Saúde no combate à Gripe A.

Michael Kochen, presidente da Associação do Médicos de Clínica Geral, recomendou mesmo aos seus colegas que renunciem a vacinar as pessoas, “porque o risco de danos é superior aos benefícios”.

Por seu turno, o presidenet da Associação dos Pediatras, Wolfram Hartmann, acusou o governo federal de “fazer premeditadamente falsas afirmações”, alegando que a vacina encomendada pelo governo “ainda não foi testada nem em grávidas nem em crianças menores de três anos, e por isso o risco de a aplicar é muito grande”.

O médico explicou que as crianças têm um sistema imunitário com mais tendência para alergias, “e são precisamente essas alergias que podem ser provocadas pelos aditivos da vacina”.

Numa sondagem divulgada na sexta-feira pela televisão pública ARD, 57 por cento dos alemães declararam que não tencionam vacinar-se contra a Gripe A, e só 31 por cento admitiram esta hipótese.

Até agora, registaram-se na Alemanha perto de 23 mil infecções com o vírus H1N1, que resultaram em duas mortes, uma mulher de 36 anos e um menino de 5.

O Ministério da Saúde encomendou 50 milhões de doses de vacinas, a ministrar gratuitamente a cerca de 25 milhões de pessoas, em duas doses, numa campanha que arranca a 26 de Outubro.


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