Governo alemão confia na venda da Opel apesar das reservas da Comissão Europeia


 

Lusa / AO online   Economia   17 de Out de 2009, 13:25

O governo alemão mostrou-se hoje convicto de que a venda da Opel ao consórcio austro-canadiano Magna se realizará, mas admitiu que as objecções colocadas pela Comissão Europeia sobre ajudas do Estado ao negócio “não facilitaram a situação”.

A assinatura do contrato de venda pela General Motors (GM) norte-americana de 55 por cento das acções da Opel à Magna e ao seu parceiro russo esteve agendada para esta semana, mas acabou por ser adiada para terça ou quarta-feira, para se aguardar um parecer da Comissão Europeia.

Na sexta-feira, a comissária da tutela, Nellie Kroes, anunciou então que o governo germânico “deveria dar oportunidade” à GM de voltar a reflectir sobre os processos de candidatura”, criticando assim o facto de Berlim fazer depender a concessão de garantias bancárias no valor de 4,5 mil milhões de Euros da venda à Magna, em troca da promessa de manutenção das quatro fábricas da Opel na Alemanha.

Outros países com unidades de produção da Opel, caso da Espanha, Reino Unido e Bélgica, a quem a Magna não deu idênticas garantias, manifestaram reservas ao procedimento adoptado por Berlim, solicitaram a intervenção da Comissão Europeia e recusaram-se a contribuir para as garantias bancárias em questão.

Kroes reagiu no final da semana, exigindo em carta ao ministro alemão da economia, karl-Theodor zu Guttenberg, que o governo alemão, a GM e a sociedade fiduciária onde foi depositada a maioria das acções da Opel, para permitir a venda das patentes, garantam por escrito que as ajudas estatais serão pagas independentemente do candidato escolhido para compra da tradicional marca alemã.

Guttenberg manifestou hoje “compreensão” perante as reservas manifestadas por Bruxelas, que atribuiu a declarações do ministro alemão das finanças cessantes, Peer Steinbrueck, ao dizer que o governo só daria garantias bancárias à Opel em caso de venda à Magna, e a mais nenhum outro candidato.

“Estou convencido, porém, de que daremos as respostas exigidas”, disse Guttenberg, mostrando-se optimista quanto à conclusão do negócio.

A Comissão Europeia tem mostrado flexibilidade em autorizar ajudas do Estado às empresas, face à actual crise económica, e admitiu que a Alemanha criasse um fundo de auxílio a empresas com futuro, mas transitoriamente com problemas financeiros, de onde sairão as garantias bancárias a dar à Opel.

A concretizar-se a venda à Magna, a GM ficará com 35 por cento do capital da New Opel, nome a adoptar pela nova sociedade, e pretende construir carros nas suas fábricas europeias para vender nos EUA.

Após a reestruturação planeada pela Magna, que inclui o despedimento de 10 500 dos actuais 50 mil trabalhadores da Opel e da Vauxhall, a sua subsidiária britânica, o pessoal da empresa ficará com dez por cento das acções, a troco da renúncia a 268 milhões de Euros de subsídios de férias e de Natal, até 2014.


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