EUA

George W. Bush mais popular em Pequim do que no seu país


 

Lusa/AO Online   Internacional   5 de Dez de 2008, 08:17

Como Richard Nixon, há quase 40 anos, o actual presidente norte-americano, George W. Bush, parece mais popular na China do que no seu país.
“O presidente Hu Jintao disse-me que as relações entre a China e os Estados Unidos nunca estiveram melhores”, contou o antigo presidente George H. W. Bush, numa entrevista publicada hoje pelo jornal China Daily.

    E essa melhoria – acrescentou – “deve-se muito” ao actual presidente dos Estados Unidos.

    “Embora a imprensa não goste dele, em particular a imprensa liberal, é importante lembrar que aqui na China o sentimento é diferente”, afirmou Bush-pai acerca do filho.

    Richard Nixon, que era igualmente do Partido Republicano, foi o primeiro presidente dos Estados Unidos a visitar a China, em Fevereiro de 1972, e mesmo depois do escândalo Watergate, que levou à sua demissão, em Agosto de 1974, continuou a ser bem recebido pelos lideres chineses.

    “Votei em si nas últimas eleições”, disse-lhe o presidente e fundador da Republica Popular da China, Mao Zedong, quando se encontraram pela primeira vez.

    O encontro, considerado um ponto de viragem nos alinhamentos da Guerra Fria que dominava então as relações internacionais, marcou o início de uma aliança estratégica sino-norte-americano contra o inimigo comum, a União Soviética.

    Nixon visitou a China mais cinco vezes e em Fevereiro de 1976, seis meses e meio antes de Mao morrer, teve um último encontro com o líder chinês.

    Bush-pai foi embaixador em Pequim em 1974 e foi nessa altura também que o seu filho mais velho, George W. Bush, conheceu a China.

    “Nesse tempo, a China estava separada (do resto do mundo). Não se podia ir a uma casa chinesa ou falar com chineses na rua (…) Era um estado totalitário”, recorda o antigo presidente na entrevista ao China Daily, jornal oficial de língua inglesa.

    Hoje – contrapõe George H.W. Bush – “há muito mais liberdade individual”.

    “Penso que a emergência da democracia na China está a acontecer. É indiscutível que as pessoas têm mais liberdade do que costumavam ter. No nosso país ainda há quem encare os (lideres) chineses como um bando de comunistas, mas eu não penso isso”, afirmou.

    A imagem de Bush-pai na China também parece globalmente positiva: “Os chineses gostam da sua modéstia e temperamento”, diz um sociólogo chinês.

    O seu filho, que já visitou várias vezes a China, foi um dos primeiros estadistas a confirmar a presença na abertura dos Jogos Olímpicos de Pequim, em Agosto passado.

    George W. Bush termina o seu segundo mandato em 20 de Janeiro de 2009 com um dos mais baixos índices de popularidade das últimas décadas.

    As economias dos dois países, entretanto, ficaram profundamente ligadas e em Outubro passado, a China tornou-se o maior detentor de títulos de tesouro dos Estados Unidos, com quase 600 mil milhões de dólares (476 mil milhões de euros).

    “China e Estados Unidos estão no mesmo barco”, afirmou um destacado economista da Academia Chinesa de Ciências Sociais, Dong Yuping, acerca daquela posição financeira.

    O deficit comercial dos Estados Unidos em relação à China também é colossal – 256,3 mil milhões de dólares em 2007 (203,4 mil milhões de euros), o que dá uma média diária de cerca de 700 milhões de dólares (555 milhões de euros).

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