Desenvolvimento regional

Geoparque atrai turismo científico


 

Lusa / AO online   Nacional   4 de Dez de 2007, 14:55

Um protocolo entre várias entidades vai ser assinado quinta-feira, para dar corpo ao Geoparque Arouca, que tem por base as trilobites da "pedreira do Valério", únicas no Mundo, e visa promover o desenvolvimento regional.
"Dia 6 marca o início do trabalho no terreno e pretende-se envolver toda a comunidade local em torno do projecto", declarou esta terça-feira o presidente da Câmara de Arouca, Artur Neves, numa conferência de imprensa na Região de Turismo Rota da Luz, em Aveiro, uma das entidades envolvidas.
Segundo o autarca, "através da geologia, pretende-se ligar várias vertentes, que vão da gastronomia à arqueologia e aos desportos radicais, envolvendo também produtores tradicionais da região".
Numa primeira fase, a partir do centro interpretativo de Canelas, já em funcionamento e construído, irá funcionar um "geoporto", destinado a acolher e orientar os turistas, sendo criada uma estrutura com equipas de guias e transportes para os turistas.
O paleontólogo Artur Sá considera o Geoparque "um projecto agregador para o desenvolvimento da região" e destaca a importância internacional do património geológico de Arouca.
"Temos rochas que contam a História, como quem lê um livro, entre 520 milhões de anos e 250 milhões de anos e guardam tesouros muito importantes. Nas ardósias do Ordovícico Médio encontramos trilobites três vez mais antigas do que os dinossauros do período Jurássico", sublinhou.
Referindo a relevância científica da "pedreira do Valério" e o papel inestimável de Manuel Valério, que teve a preocupação de preservar as trilobites e "é hoje um paleontólogo de coração", Artur Sá disse que o local começa já a ser conhecido a nível mundial e tem suscitado a vinda a Arouca de cientistas de vários países, nomeadamente dos Estados Unidos, Dinamarca, Espanha e Inglaterra.
"Qualquer museu pagaria fortunas para ter estas trilobites de Canelas, que são as maiores do Mundo", comentou, dando conta de que, em apenas ano e meio, o centro interpretativo de Canelas já registou perto de 12 mil visitas.
A importância de outros geo-sítios no concelho justificam a criação do Geoparque Arouca, dando como exemplo as "Pedras Parideiras" na Serra da Freita, visitadas anualmente por cerca de 20 mil pessoas, também únicas ao nível mundial, em granito.
A 50 metros do afloramento vai ser feito um segundo centro interpretativo e o projecto já está a ser feito pela autarquia, segundo revelou o presidente da Câmara.
Para o autarca, Arouca tem dificuldade em responder às necessidades de alojamento que o Geoparque vai gerar, porque embora disponha de unidades de turismo rural de qualidade, faltam hotéis.
Para resolver o problema, conta com a transformação da ala sul do Mosteiro em unidade de alojamento, pendente de uma portaria do Ministério da Cultura.
"Será feita uma concessão por 50 anos, e teremos uma unidade de alojamento capaz de dar resposta a um turismo científico qualificado", disse.
O problema das acessibilidades é também actualmente "um entrave complicado" para o desenvolvimento do Geoparque.
"Arouca está a apenas 30 quilómetros da linha do mar, mas é considerado um concelho do interior por falta de acessibilidade. Só com boas vias os projectos terão sustentabilidade", observou.
Artur Neves está, no entanto, confiante de que o concelho venha a ficar ligado aos principais eixos rodoviários.
Segundo explicou, a via estruturante que ligará Arouca ao nó da Feira deverá ficar concluída até 2012, a zona será servida pelo IC35, previsto no Plano Rodoviário Nacional e que ligará Penafiel ao nó das Talhadas (Sever do Vouga) da A25, e deverá entrar em construção dentro de um ano a A32, ligando Oliveira de Azeméis a Gaia, que terá um nó de ligação a Arouca em Escariz.

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