Em comunicado, a Agência Europeia da Guarda de Fronteiras e Costeira (Frontex) anuncia que, “pela primeira vez, destacou um navio de patrulha para o Canal da Mancha, para apoiar as operações francesas de busca e salvamento relacionadas com pequenas embarcações sobrelotadas no mar”.
O navio espanhol "Duque de Ahumada", da Guardia Civil, começou esta semana a operar ao largo da costa francesa, em articulação com uma aeronave de vigilância da Frontex que sobrevoa o Canal da Mancha desde 2021.
O navio e a aeronave serão integrados na força de busca e salvamento coordenada pelo Centro de Coordenação de Salvamento Marítimo de Gris-Nez, sob a autoridade do prefeito marítimo da Mancha e do Mar do Norte, acrescenta.
“O navio ajudará as autoridades francesas a obter uma imagem mais completa do que está a acontecer no mar. Irá detetar, verificar e acompanhar pequenas embarcações, transmitindo informações precisas e em tempo real às autoridades”, explica a Frontex à imprensa europeia.
Citado pela nota, o diretor executivo da Frontex, Hans Leijtens, realça que “esta operação tem um único objetivo”, que é o de “ver mais para que as autoridades nacionais possam fazer mais”.
“Uma melhor perceção da situação permite decisões mais rápidas, uma coordenação mais eficaz e uma melhor proteção de vidas”, adianta.
Também em comunicado, o comissário europeu dos Assuntos Internos, Magnus Brunner, destaca que “os traficantes de seres humanos colocam a vida das pessoas em risco” e, para os travar, “é preciso agir de forma determinada ao longo de todas as rotas”.
Magnus Brunner assinalou que o plano de ação conjunto entre Reino Unido e França para o Canal da Mancha, que está a ser implementado com o apoio da Frontex, já contribuiu para uma diminuição de 44% das travessias da fronteira face a 2025.
O "Duque de Ahumada" será substituído no final de setembro pelo "Río Segura", estando prevista a participação de outros navios de Estados-membros da União Europeia nos meses seguintes, ainda não especificados.
A Frontex sublinha que todas as travessias do Canal da Mancha são “perigosas”, devido à sobrelotação das embarcações e à possibilidade de alteração rápida das condições no mar.
A agência europeia apoia as autoridades nacionais na vigilância da costa e das águas entre França, Bélgica e Reino Unido, mas as autoridades nacionais mantêm a responsabilidade pela aplicação da lei e pelas operações de busca e salvamento nas respetivas águas.
A Frontex esclarece, ainda, que a sua intervenção nesta operação está exclusivamente ligada às operações francesas de busca e salvamento e que não participará em operações de interceção marítima.
O Canal da Mancha é uma das principais rotas utilizadas por migrantes que tentam chegar ao Reino Unido a partir do norte de França, com as travessias a serem frequentemente realizadas em pequenas embarcações pneumáticas e outras embarcações precárias.
O anúncio surge pouco mais de um mês depois da crise migratória registada em Ceuta, nos dias 30 e 31 de julho, quando cerca de 72 mil migrantes atravessaram a fronteira entre Marrocos e o enclave, numa entrada em massa sem precedentes, realizada sobretudo por mar, com muitos migrantes a tentarem alcançar o território espanhol a nado, e que provocou dezenas de mortes.
A situação levou Espanha a reforçar a presença policial e fronteiriça na região e a pedir um maior apoio europeu para responder à pressão migratória.
