FMI divulga hoje relatório da quinta revisão do memorando com Portugal

FMI divulga hoje relatório da quinta revisão do memorando com Portugal

 

Lusa/AO Online   Economia   25 de Out de 2012, 07:46

O Fundo Monetário Internacional (FMI) divulga hoje o relatório da quinta revisão do memorando de entendimento com Portugal e o chefe de missão para Portugal do Fundo, Abebe Aemro Selassie, vai responder a perguntas da imprensa.

Na quarta-feira, o comité executivo do FMI aprovou o pagamento de uma nova tranche da sua parte do empréstimo de 78 mil milhões de euros a Portugal - uma tranche de 1.500 milhões de euros.

Já era sabido que o FMI tinha dado o seu aval à quinta revisão do memorando e a diretor-geral do Fundo, Christine Lagarde, já anunciara o pagamento desta tranche a Portugal.

Mesmo assim, o relatório da quinta avaliação tem importância política. A visita da missão da ‘troika’ para a quinta avaliação do memorando coincidiu com o atribulado processo de elaboração do Orçamento do Estado para 2013 - que incluiu episódios como o recuo do Governo numa proposta de mudanças no regime de contribuições para a Segurança Social (a chamada "medida da TSU").

Em comunicado divulgado na quarta-feira à noite, depois da aprovação do pagamento da nova tranche, o FMI considerou que as perspetivas externas e o desemprego em Portugal dificultam o cumprimento dos objetivos do programa de ajustamento, sublinhando que "são precisos esforços adicionais" para consolidar as contas e impulsionar o crescimento.

"As fracas perspetivas externas e o aumento do desemprego aumentaram os riscos ao cumprimento dos objetivos do programa. São necessários esforços adicionais, com o apoio dos parceiros da zona euro, para fazer avançar a consolidação orçamental e impulsionar o crescimento de longo prazo", afirmou Nemat Shafik, diretor do Fundo, citado na nota.

O responsável disse ainda que o nível da dívida de Portugal "diminui a margem de manobra" das autoridades portuguesas e sublinhou que a revisão prevista das despesas "iria ajudar a reequilibrar o esforço de ajustamento, que se baseia atualmente sobretudo em medidas do lado da receita".

Já este mês, o Fundo divulgou uma nova edição do seu ‘Outlook’ (documento de previsão e análise económica), onde se incluía um texto no qual o FMI sugere que o impacto recessivo da austeridade pode ser maior do que se julgava.

O ministro das Finanças, Vítor Gaspar, disse que esse documento foi mal compreendido pela imprensa, mas também se comprometeu a consultar o FMI para esclarecer a posição do Fundo.

Gaspar dramatizou o debate sobre o orçamento para 2013, argumentando que a ‘troika’, de que o FMI faz parte, não deixou “nenhuma margem de manobra” para negociação.

"É efetivamente claro na documentação que acompanha o quinto exame regular, que será conhecida brevemente, que os limites para o défice e dívida para 2012 e 2013 encostaram ao limite de tolerância das organizações internacionais", admitiu o ministro na quarta-feira, durante uma audição na comissão parlamentar de Orçamento e Finanças.

 


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