Fábricas têxteis reabrem no Bangladesh após manifestações

Fábricas têxteis reabrem no Bangladesh após manifestações

 

Lusa/AO online   Internacional   26 de Set de 2013, 15:27

A maioria das fábricas têxteis do Bangladesh reabriram esta quinta-feira após cinco dias de violentas manifestações, com a promessa de aumentos salariais e na sequência de uma ameaça do Governo em reprimir novos movimentos de protesto.

A federação dos trabalhadores dos têxteis e outros setores industriais do Bangladesh indicaram ter recebido a promessa de aumentos salariais em novembro, enquanto os trabalhadores das indústrias de confeções se manifestaram durante cinco dias para reivindicar um salário mensal de 100 dólares (74 euros).

“Os operários estão agora convencidos que o seu salário vai ser aumentado até novembro”, referiu à agência noticiosa AFP o responsável da federação, Babul Akter.

Na quarta-feira, o Governo ameaçou reprimir novas manifestações de protesto com o ministro do Interior, Khan Alamgir, a referir que “o têxtil é uma indústria nacional”.

“Os que atuarem contra esta indústria serão considerados inimigos da nação e qualquer tentativa de destabilizar o setor será impedida pela força”, acrescentou.

Cerca de 20 fábricas das 4.500 instaladas no país ainda estavam encerradas hoje, segundo a polícia e os proprietários, e após a decisão de enviar forças policiais para os complexos industriais.

O vice-presidente da associação de fabricantes e exportações de têxteis do Bangladesh, Reaz-Bin-Mahmood, referiu que os cinco dias de manifestações afetaram a produção de pelo menos 500 fábricas, com um prejuízo de cerca de 40 milhões de dólares (29,6 milhões de euros).

Ao aumento salarial permanece desconhecido, mas os industriais já rejeitaram as reivindicações dos operários, que pediam que o seu salário fosse triplicado, ao considerarem que apenas podem garantir um aumento de 20% devido à conjuntura económica mundial.

O Bangladesh é o segundo exportador mundial de confeções e fornece designadamente nomes como a norte-americana Walmart, a francesa Carrefour ou a sueca H&M, para além de empresas britânicas, italianas ou espanholas. Pilar da economia, o setor inclui 4.500 fábricas e representa 80% das exportações anuais do país asiático, cerca de 27 mil milhões de dólares (20 mil milhões de euros).

No entanto, a larga maioria dos trabalhadores garante um salário mensal de 3.000 taka (28 euros), um dos mais baixos do mundo, após um acordo tripartido entre os sindicatos, Governo e fabricantes do setor assinado em 2010.

As manifestações contra os baixos salários e as péssimas condições de trabalho têm atingido o setor do têxtil e vestuário do Bangladesh após o desmoronamento em finais de abril do edifício Rana Plaza, onde funcionavam diversas fábricas, e que vitimou mais de 1.100 pessoas.


Açormédia, S.A. | Todos os direitos reservados

Este site utiliza cookies: ao navegar no site está a consentir a sua utilização.
Consulte os termos e condições de utilização e a política de privacidade do site do Açoriano Oriental.