Exportadores de peixe dos Açores queixam-se de indisponibilidade de carga nos aviões

Exportadores de peixe dos Açores queixam-se de indisponibilidade de carga nos aviões

 

Lusa/AO Online   Regional   20 de Set de 2013, 08:56

Exportadores de pescado dos Açores estão com dificuldades em escoar o seu produto devido à "indisponibilidade" de carga nos aviões do grupo SATA que asseguram as ligações com Lisboa.

 

“Efetivamente temos pescado descarregado em lota que se destina aos mercados de exportação sabendo que o transporte referenciado para a nossa área é o transporte aéreo de mercadorias. E sabemos que a SATA tem como vocação o passageiro, surgindo a carga em segundo plano”, considera Pedro Melo, secretário-geral da Associação de Comerciantes de Pescado dos Açores (ACPA).

Pedro Melo aponta que a transportadora aérea dos Açores "está a ser deficitária” quer na quantidade de carga que disponibiliza quer na programação dos voos, que “não servem o setor de exportação” do pescado.

“Continuamos com voos da SATA que não estão direcionados para o pescado, saindo em alturas do dia que não servem a exportação. E temos situações em que temos bastante peixe para escoar e não temos quantidade de carga suficiente. É, de facto, um grande constrangimento”, refere o secretário-geral da ACPA.

Pedro Melo frisa que o pescado é sempre algo “muito difícil de prever”, sendo condicionado pelo estado do mar e pela meteorologia, o que implica que “nunca se pode ter um fator de certeza” como em outras atividades.

“O que se coloca aqui é que temos saídas de aviões a horas que não nos servem. Temos um Airbus 310 [com capacidade de nove toneladas] que sai logo pela manhã de Ponta Delgada e no restante período do dia somos servidos por aviões A-320 [cerca de 2 mil quilos], com muita menor capacidade de carga”, explica.

O dirigente da ACPA defende a colocação de um avião com “maior capacidade de carga” a sair para Lisboa à noite no inverno, enquanto para o período entre abril e finais de setembro, quando há “maior volume” de captura de pescado, defende a criação de um serviço de cargueiro.

Pedro Melo revela que a ACPA - que possui 34 associados e exporta para a Madeira, continente, Espanha, Itália e Grécia -, tem mantido reuniões com a tutela, a Direção Regional dos Transportes, e dirigentes da SATA no sentido de se “encontrar soluções”, sem resultados práticos.

A administração da SATA considera que “não existe qualquer problema” na capacidade de transporte de carga, salvaguardando que a necessidade de transporte de “alguns tipos” de carga perecível “não é regular”, sendo “difícil, senão impossível”, prever e salvaguardar espaço de carga para o dia e hora exatos solicitados.

Em nota enviada à agência Lusa, o grupo SATA refere que o peixe fresco é uma das cargas que, pela sua natureza, especialmente a sua “índole aleatória” no que toca a quantidades e “períodos críticos” em que surge a necessidade do seu transporte, coloca “problemas de planeamento que têm sido ultrapassados” através da realização de voos suplementares, bem como pela “alteração do tipo de equipamento” com “maior capacidade de carga” e “horários mais solicitados”.

“Com vista a dar resposta às solicitações, a SATA, por exemplo, esta semana já realizou voos suplementares e, nos próximos dias, reforçará a sua capacidade nas ligações da noite entre Ponta Delgada e Lisboa, procedimento que continuará a ser adotado sempre que a procura o justifique”, conclui a nota.

O pescado perecível e as conservas constituem uma das principais exportações dos Açores.

 


Açormédia, S.A. | Todos os direitos reservados

Este site utiliza cookies: ao navegar no site está a consentir a sua utilização.
Consulte os termos e condições de utilização e a política de privacidade do site do Açoriano Oriental.