Açoriano Oriental
Exames/Secundário: EBS das Flores é segunda melhor pública em Matemática por “estabilidade e bons alunos”

“Mais tempo” para a disciplina, a “estabilidade do corpo docente” e “um grupo de alunos muito bom” contribuíram para o sucesso da EBS das Flores, a segunda escola pública portuguesa com melhores resultados nos exames de Matemática. 

Exames/Secundário: EBS das Flores é segunda melhor pública em Matemática por “estabilidade e bons alunos”

Autor: AO Online/ Lusa

A média de 16,01 nos exames nacionais de Matemática de 2019 colocou a Escola Básica e Secundária das Flores em 11.º lugar do ‘ranking nacional’, mas foi a primeira escola pública na tabela, que agrega mais de 600 estabelecimentos.

Os resultados revestem-se de especial importância, por virem de uma escola dos Açores, a região do país que pior média tem nesta disciplina.

As notas alcançadas são o “reconhecimento pelo trabalho que a escola desenvolve com os seus alunos” e “do trabalho que estes alunos realizaram ao longo dos 12 anos da sua escolaridade obrigatória”, explica Helena Borges, professora de Matemática na escola.

Numa das mais pequenas e remotas ilhas do arquipélago, o sucesso alcançado é, também, “um motivo de orgulho para toda a comunidade”, provando que não é por estar “no ponto mais ocidental da Europa, muito afastados dos grandes centros urbanos, onde o acesso à informação, tecnologia e cultura é mais facilitado”, que os alunos estão “menos preparados” ou são “menos capazes do que os colegas do resto do país”, destaca.

A classificação deste ano não é um fenómeno isolado: “Nos últimos anos, a Escola Básica e Secundária das Flores tem obtido bons resultados nas finais do 3.º ciclo, a nível regional e, em 2019, estes resultados estenderam-se ao ensino secundário”.

Esta docente, que guiou os sete alunos que a escola levou a exame, reconhece um esforço para inverter a tendência de maus resultados na região e considera que os registos da escola florentina são “o reflexo de todo um investimento que tem sido feito, no âmbito do ProSucesso” (Plano Integrado de Promoção do Sucesso Escolar), implementado pelo Governo Regional.

 Helena Borges destaca que o “investimento nas disciplinas de Português e Matemática, com a disponibilização de horas de apoio, permitindo dispor de mais tempo para a prática dos conteúdos programáticos e para o esclarecimento das dúvidas dos alunos, em particular dos alunos com mais dificuldades, que fora da escola não têm outras formas de apoio ao seu estudo”, contribuiu para os bons resultados da escola.

Também “o número reduzido de alunos por turma é, sem dúvida, um fator muito importante para este sucesso”, aponta, ressalvando, no entanto, que, “se não houver uma motivação intrínseca nos alunos, um gosto pelo conhecimento e uma ambição em termos de futuro profissional, os resultados, mesmo num grupo pequeno, podem ser poucos satisfatórios”.

“Por outro lado, a média obtida no exame é altamente influenciada pelo número reduzido de alunos que o realizaram. Neste caso, tratou-se de um grupo de alunos muito bom e muito homogéneo em termos de aproveitamento”, explica a professora, que os acompanha desde cedo.

 “Devo salientar que os alunos que realizaram o exame de 2019, na sua maioria, foram meus alunos do 7.º ao 12.º ano”, sublinha.

E esse pode ser, de facto, um dos fatores que explica os resultados, como aponta o presidente do conselho executivo da EBS das Flores, Sérgio Ferreira, que adianta que “a dimensão do grupo é um fator que contribuiu para o sucesso”, sublinhando que “a Matemática é um dos grupos em que a escola tem um corpo docente estável, e isso permite uma certa continuidade do trabalho”.

Questionada sobre este aspeto, Helena Borges concorda “plenamente”, referindo que essa estabilidade “nas escolas permite um acompanhamento dos alunos por vários anos, e, portanto, um conhecimento muito profundo dos mesmos, das suas características individuais e necessidades”.

No ano passado, 33.244 alunos do ensino secundário realizaram o exame nacional de Matemática A e a média de todas as provas foi de 11,58 valores, o que se revelou uma melhoria em relação ao ano anterior, segundo uma comparação realizada pela Agência Lusa tendo por base dados pedidos ao Ministério da Educação.

Mesmo com os bons resultados da EBS das Flores, os Açores registam uma média negativa de 9,57 valores.

“Infelizmente ainda há um grupo muito considerável de alunos que não têm uma boa relação com a disciplina e que, desde muito cedo, interiorizam a ideia de que são maus alunos a Matemática e que nunca irão conseguir ter sucesso na disciplina, e o sistema permite que os alunos consigam chegar ao fim do nono ano de escolaridade, deixando a Matemática para trás”, lamenta Helena Borges.

Esta professora defende que “há um trabalho fundamental, que tem de ser feito nos anos iniciais, de desmistificação desta ideia de ‘bicho papão’, cativando os alunos para a disciplina, arranjando estratégias diferenciadas para as suas necessidades, fazendo-as ver que, com dedicação à disciplina, conseguem obter bons resultados”.

 Helena Borges deixa, no entanto, o alerta de que “esta disciplina necessita de tempo, para os alunos consolidarem as aprendizagens, e a extensão dos programas não permite ao professor dispor deste tempo”.


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