Europa prepara resposta para o aumento do valor do Euro

Europa prepara resposta para o aumento do valor do Euro

 

Lusa/AO online   Economia   6 de Out de 2007, 17:45

Os ministros das Finanças europeus reunidos segunda e terça-feira no Luxemburgo irão tentar chegar a uma posição comum para enfrentar a apreciação do euro que está a preocupar os políticos e a minar a confiança das empresas e consumidores.
     Os responsáveis europeus, depois de terem minimizado o impacto do valor elevado do euro e a fraqueza do dólar norte-americano, têm manifestado nos últimos dias a sua preocupação pelo aumento do valor da moeda única.

    O encontro começa com uma reunião dos 13 ministros da Zona Euro, presidida pelo primeiro-ministro e ministro das Finanças do Luxemburgo, Jean-Claude Juncker, para preparar a posição dos europeus na reunião dos ministros das Finanças do G7 que terá lugar em Washington a 19 de Outubro.

    A reunião será alargada terça-feira aos 27, mudando a presidência para Fernando Teixeira dos Santos, o responsável pelas Finanças de Portugal que assume até ao fim do ano a liderança da União Europeia.

    A instabilidade nos mercados financeiros, o funcionamento do Pacto de Estabilidade e Crescimento e o projecto de navegação por satélite Galileo serão alguns dos temas abordados na reunião presidida por Lisboa.

    "Não aceitarei mais que consideremos normal que a Europa deva pagar as consequências dos desequilíbrios globais", declarou o presidente do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker, na passada segunda-feira.

    O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, também manifestou a sua preocupação sobre o impacto negativo do euro para as exportações europeias e o crescimento económico.

    O comissário Europeu da Economia e Assuntos Monetários, Joaquín Almunia, já tinha afirmado no final de Setembro, em entrevista à agência Lusa, que a economia europeia não pode "pagar a factura" dos actuais desequilíbrios na economia norte-americana.

    Apesar de manifestar a sua preocupação pela situação e reconhecer que haverá algum efeito no crescimento europeu, Almunia sublinhou que "o euro não pode ser a moeda que paga a factura dos desequilíbrios de outras economias no mundo", uma referência ao "desequilíbrio" da economia norte-americana, que "deve ser ajustado".

    Lançada em 1999 a 1,17 dólares norte-americanos, a moeda única alcançou há poucos dias os 1,42, antes de recuar para um valor, mesmo assim, superior a 1,40.

    Os receios aumentam para a evolução da economia da zona euro com os barómetros de confiança, tanto para os industriais como para os consumidores, a fraquejarem em Setembro.

    O euro forte agrava, sobretudo, o nervosismo dos exportadores num contexto de abrandamento da economia nos Estados Unidos.

    Estas preocupações constituem argumentos claros a favor de um adiamento dos projectos de aumento das taxas de juro na zona euro, apesar da persistência de pressões inflacionistas em zona euro, consideram os analistas.

    Os ministros das Finanças, na terça-feira, irão também debater a situação nos mercados financeiros mundiais que atravessam uma fase de grande instabilidade e de reavaliação da taxa de risco em consequência das dificuldades no mercado de empréstimos hipotecário de alto risco nos Estados Unidos.

    Segundo fonte da presidência portuguesa a questão poderá vir a ser abordada pelos chefes de Estado e de Governo dos 27 aquando da sua reunião informal em Lisboa a 18 e 19 de Outubro.

    Os responsáveis pelas Finanças dos 27 irão ainda debater os aspectos financeiros do sistema global de navegação por satélite Galileo.

    Em Junho, os 27 reconheceram o falhanço das negociações do contrato de concessão do sistema, tendo a Comissão Europeia submetido em Setembro novas propostas para tentar "salvar" o projecto.

    Os ministros dos Transportes, reunidos sob presidência portuguesa no Luxemburgo a 01 e 02 de Outubro reafirmaram o interesse no sistema Galileo e indicaram a sua intenção de tomar uma decisão até ao final do ano.
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