Estudo revela qualidade dos cuidados de saúde a doentes acamados


 

Lusa / AO online   Regional   15 de Out de 2009, 15:14

Há 9,2 por cento de casos de úlceras de pressão nos Açores, um valor baixo que indicia cuidados de saúde de qualidade, refere um estudo feito nos três arquipélagos da Macaronésia.
“Os nossos valores são os mais baixos das três regiões, uma vez que nas Canárias esse valor é de 12,4 por cento e na Madeira é de 22,7, para uma média global de 14 por cento”, disse Miguel Gomes, coordenador do estudo, em declarações à Lusa.

O projecto sobre aquela patologia, que afecta doentes acamados, desenvolveu-se ao longo dos últimos três anos, envolvendo mais de mil pessoas, com um núcleo central de duas dezenas de médicos, economistas e enfermeiros.

Os trabalhos do projecto ICE1 tiveram um custo de cerca de 650 mil euros e foram financiados pelo programa europeu Interreg III-B.

Segundo Miguel Gomes, as causas principais das úlceras de pressão são “a imobilidade das pessoas, os cuidados de higiene e a alimentação”.

O especialista alerta também para a “falta de formação dos cuidadores e familiares dos doentes”.

“É preciso avançar para uma redução dos cuidados hospitalares, passando para os cuidados domiciliários, mas é necessário dar formação adequada aos cuidadores, incluindo os familiares que vão cuidar dos doentes”, defendeu.

Na sequência deste estudo, que se estendeu a Cabo Verde, com uma acção de formação, foi desenvolvido um curso de pós-graduação em Tratamento de Feridas e Viabilidade Tecidular, destinado a enfermeiros.

Das conclusões dos trabalhos resultou um manual de orientações para a Macaronésia dedicado à prevenção daquelas úlceras.

Na cerimónia de apresentação do estudo, que decorreu na Escola Superior de Enfermagem de Angra do Heroísmo, o secretário regional da Saúde comprometeu-se a “financiar integralmente a edição do manual de prevenção”.

“Este pequeno livro de bolso contém toda a informação técnica necessária à correcta prestação dos cuidados aos doentes acamados”, afirmou Miguel Correia.

Extrapolando para os Açores os valores de estudos realizados em Inglaterra e Espanha, Miguel Correia estimou que as úlceras de pressão envolvem um custo anual de “seis a oito milhões de euros”.

Os fundos europeus vão continuar a financiar este estudo que, na segunda fase, pretende criar um chip de alerta para a mudança de posição dos doentes, assim como a análise dos benefícios do uso de plantas medicinais na prevenção e no tratamento da doença.

O estudo pretende ainda definir metodologias educativas para a prevenção, criar um sistema de gestão dos materiais de prevenção, produzir um manual de orientação e formação familiar e realizar um estudo sobre os custos económicos das úlceras de pressão na Macaronésia.

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