Ensino Superior: Alberto Amaral admite que será inevitável extinguir cursos


 

Lusa/ AO online   Nacional   4 de Nov de 2011, 16:20

O presidente da Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior, Alberto Amaral, admitiu hoje o fim de muitos cursos num futuro próximo, exemplificando que existem ofertas em excesso ao nível da formação de professores e de agronomia.

“Há determinadas áreas em que há excesso de oferta, a generalidade dos politécnicos tem agronomia, ninguém quer ir para agricultura”, afirmou o presidente da A3es à margem da 3ª Conferência Nacional do Ensino Superior e da Investigação, promovida pela Federação Nacional dos Professores (FENPROF), em Lisboa.

Outro exemplo citado quando questionado sobre esta matéria, foram as “centenas de cursos de formação de professores” que hoje existem.

“Será que é razoável, nesta fase, com tantos professores desempregados?”, interrogou, defendendo uma análise responsável destas questões.

A agência está neste momento a analisar cerca de 400 cursos, mas grande parte são de mestrado e doutoramento. Em janeiro conta ter resultados.

Depois do trabalho de identificação dos cursos existentes para uma base de dados e da análise a novas aberturas, a agência vai incidir o seu trabalho nos cursos em vigor.

Alberto Amaral indicou que vários cursos não serão acreditados.

Sobre a reorganização da rede, em termos de estruturas, o especialista defendeu o modelo de consórcio, em vez da fusão, para começar a juntar sinergias entre as instituições de ensino superior e ganhar escala.

“Se calhar um método mais razoável será iniciar pelo consórcio. É reversível e permite fazer trabalho em comum em determinadas áreas”, sustentou.

Se a experiência correr bem, as universidades podem sempre avançar para a fusão, disse.

De acordo com Alberto Amaral, outros países adotaram este modelo.

O responsável da A3es considerou excessiva a existência de 150 instituições de ensino superior em Portugal: “Não há outro país assim. 20 universidades em Portugal? A Suécia, a Noruega têm quatro, cinco, seis”.

Perante a situação crítica do país, o especialista assumiu que as instituições de ensino superior terão de usar os recursos de uma forma “mais inteligente”. Admitiu, porém, o risco de “algo se perder” ao nível da internacionalização e da investigação.

Durante a conferência, o coordenador da FENPROF para o Ensino Superior e Investigação, João Cunha Serra, denunciou que os cortes orçamentais previstos para 2012 estão já a sentir-se no Ensino Superior, com a “não renovação de dezenas de contratos” de docentes convidados e diminuição da vigência, havendo casos de “renovação por quatro meses e meio”.

O secretário-geral da maior organização de professores, Mário Nogueira, voltou a fazer um apelo veemente de manifestação contra as medidas do Governo: “Dia 12, teremos de inundar as ruas de Lisboa com o maior caudal jamais visto de trabalhadores da Administração Pública; dia 24, teremos de desenhar, com o traço da nossa determinação e as cores da nossa convicção, a maior e mais expressiva greve geral de que há memória em Portugal”.


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