Empresários dos Açores preocupados com quebra do turismo, pedem “medidas estruturais”

A Câmara do Comércio de Ponta Delgada e as associações da Hotelaria e Alojamento Local expressaram preocupação com a quebra nos indicadores do turismo nos últimos meses e reivindicaram “medidas estruturais” para o setor



Em conferência de imprensa que juntou os presidentes da Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada (CCIPD) e da Associação de Alojamento Local dos Açores (ALA) e a representante na região da Associação de Hotelaria de Portugal (AHP), os empresários alertaram para a situação atual do turismo no arquipélago.

“As preocupações da CCIPD tornam-se cada vez mais relevantes e importa centrar o debate nas medidas estruturais necessárias ao combate à sazonalidade, que continua a ser o principal desafio estratégico do turismo açoriano”, afirmou o presidente da CCIPD, que representa os empresários de São Miguel e Santa Maria, falando na sede daquela associação empresarial em Ponta Delgada.

Os Açores registaram, em janeiro, uma redução de dormidas em alojamentos turísticos de 9,9% face ao período homólogo, sendo o quinto mês consecutivo em queda, segundo dados revelados na sexta-feira pelo Serviço Regional de Estatística (SREA).

O presidente da CCIPD alertou que o “inverno turístico não pode ser preparado de forma reativa” e apelou a um “combate eficaz à sazonalidade” através de uma “abordagem baseada em dados e segmentação de mercados” e um “modelo mais orientado para a conversão e vendas efetivas”.

O economista rejeitou que a evolução dos indicadores turísticos represente um “planalto”, tal como sugerido pela secretária regional da tutela em 23 de fevereiro, considerando que os Açores “ainda nem chegaram a meio da montanha”.

“Não podemos estar à sombra da bananeira à espera de que as coisas caiam nas mãos como aconteceu até aqui com a pompa e circunstância que foi retirada a nível político. Queremos agora ver onde estão os políticos a assumir as responsabilidades e a mostrar uma verdadeira estratégia”, reforçou.

Gualter Couto expressou preocupação com o próximo verão, sinalizando que nas ligações internacionais vai existir uma “quebra de lugares disponíveis de 9%” e reiterou que a saída da Ryanair vai provocar impactos significativos.

“Se andamos a entrar num mercado e dois ou três anos depois estamos a sair, peço desculpa, mas estamos como baratas tontas neste setor. Isso não é gerir de forma profissional”, acrescentou.

Já a representante nos Açores da AHP salientou que a quebra de dormidas “já não é antecipada”, é “sim verificada” face aos dados de janeiro, uma tendência que poderá ter consequências na “economia no seu todo”.

“Não podemos ver isso com leveza. Mais do que prever que vai existir uma quebra substancial de receitas de alojamento, o que vai acontecer num cenário desses é uma quebra em toda a cadeia de valor”, declarou.

Andreia Pavão defendeu a necessidade de “promover estadas médias mais longas” e alertou que “perder acessibilidades diretas é muito preocupante”.

“Fomos desafiados a procurar soluções para além de apenas lamentos, eu diria que numa região arquipelágica como a nossa não se vai a lado nenhum sem acessibilidades”.

Por sua vez, o presidente da ALA realçou que os Açores são a “região do país com maior amplitude sazonal, o que cria dificuldades enormes de tesouraria”, e lamentou a falta de “ação concreta” do Governo Regional (PSD/CDS-PP/PPM).

“70% dos alojamentos locais não tiveram um único hóspede em janeiro. Significa que sete em cada 10 estiveram fechados. Isso é um revés enorme para o turismo. As nossas pequenas e médias empresas são frágeis”, afirmou João Pinheiro, considerando que “não basta pedir” aos empresários para “não serem pessimistas”.



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Promovido por três socialistas, Congresso da Autonomia pretende ser um espaço aberto à sociedade civil onde o balanço dos últimos 50 anos não se fique pelas conquistas, mas também pelo que está ainda por concretizar. Realiza-se a 23 de maio, em Ponta Delgada