Os empresários defendem que o Turismo de Portugal, deveria apoiar a criação de novas rotas aéreas e o regresso das companhias low cost aos Açores, a exemplo do que já fez noutras regiões do país, incluindo no arquipélago vizinho da Madeira.
Isto quando no passado mês de agosto, completou-se um ano - doze meses entre setembro de 2025 inclusive e agosto de 2026 - em que se registaram consecutivamente reduções nas dormidas de turistas nos Açores, por comparação com os mesmos doze meses do ano anterior.
Uma posição defendida ontem em Ponta Delgada durante uma conferência de imprensa conjunta dos presidentes e representantes da Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada, da Associação do Alojamento Local dos Açores e da Associação da Hotelaria de Portugal.
A conferência que se realizou na sede da Câmara do Comércio pretendeu assinalar os seis meses do Memorando Conjunto “Reforço da Competitividade do Destino Açores – Medidas Urgentes na Acessibilidade Aérea e Promoção”.
Um documento que foi subscrito na altura também pela Federação Agrícola dos Açores, embora desta vez o seu presidente, Jorge Rita, não tenha participado na conferência de imprensa.
Refira-se que o Turismo de Portugal, que está integrado no Ministério da Economia, é a entidade responsável por coordenar a promoção de Portugal, no país e no estrangeiro.
Conforme afirmou Andreia Pavão, representante regional da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP), “se existe para Portugal uma estratégia na chegada destas companhias e na manutenção destas companhias, nomeadamente quando criam uma base no Porto, quando criam uma base em Lisboa, quando criam uma base na Madeira ou quando criam uma base em Faro, se calhar está na altura de bater à porta da Secretaria de Estado do Turismo e relembrar que os Açores também estão aqui”.
Uma ideia igualmente defendida pelo presidente da Associação do Alojamento Local dos Açores (ALA), João Pinheiro. “O Turismo de Portugal poderia dar um apoio aos Açores, através da contratação e negociação junto das companhias low cost. Isso já foi feito anteriormente com outras regiões, nomeadamente a Madeira, e acho que está na altura do Turismo de Portugal dar uma ajuda na contratação de rotas e novas companhias aéreas para os Açores”, alertou.
Governo “subestimou” impacto da saída da Ryanair
Para a representante regional da AHP, Andreia Pavão o Governo dos Açores “subestimou o impacto” que a saída da Ryanair no final de março deste ano teria no turismo dos Açores. “E acho que enquanto não entendermos e reconhecermos isto, não vamos estar preparados para encontrar as soluções que são necessárias”, acrescentou.
Andreia Pavão vai mesmo mais longe e diz que “estamos a negligenciar o setor”, uma situação que atribui ao facto do turismo ter sido “o menino bem comportado” da economia açoriana num passado recente. Quis isto dizer que, “como um filho bem comportado, nós não precisámos de nos preocupar com ele”, lamentou Andreia Pavão, referindo-se à falta de medidas por parte do Governo Regional para inverter a redução do número de dormidas nos Açores durante o último ano.
Por outro lado e referindo-se ao Fundo de Desenvolvimento de Rotas Aéreas dos Açores, que está em processo de implementação, a representante regional da AHP alertou: “é preciso que este Fundo funcione como um instrumento, e não é com uma medida para um cargo político. Ele é um instrumento de trabalho e para funcionar, é preciso que tenha verbas”.
Até porque, lembra o presidente da ALA, João Pinheiro, 90% das dormidas que se perderam desde a saída da Ryanair “foram em Alojamento Local”. Por isso, concluiu, “nós achamos que a vinda de uma low cost é uma solução para este problema, não só para o aumento da capacidade de lugares disponíveis que traz para os Açores, mas também para o balanceamento do preço das viagens que existe neste momento e que está inflacionadíssimo pelas companhias de bandeira”.
Grande quebra no mercado nacional
Ainda esta semana, a Câmara do Comércio e Indústria de Ponta Delgada (CCIPD) emitiu um comunicado a alertar para os riscos da manutenção da atual situação no turismo açoriano e propondo medidas para a inverter.
Ontem em conferência de imprensa, o presidente da CCIPD, Gualter Couto, afirmou que “é óbvio que tem que ser uma prioridade política a captação de companhias aéreas low cost”, recordando que “muito alertámos ainda antes da saída da Ryanair que ela ia ter um impacto profundo e esse impacto, muito mais do que nos mercados internacionais, está a acontecer precisamente no mercado nacional. A grande quebra está no mercado nacional, seja na época baixa, seja também na época alta”.
Admitindo que as empresas do setor do turismo irão ter um inverno “muito frio para a liquidez e para a tesouraria”, Gualter Couto apelou ao Governo Regional para que faça uma forte aposta na promoção do destino Açores. Mas para tal é preciso que a Visit Azores, a entidade responsável pela promoção turística externa dos Açores, tenha no seu orçamento “valores que sejam expressivos para tentarmos inverter a atual situação”. Contudo, para Gualter Couto, não basta apenas pôr mais dinheiro na Visit Azores, é preciso “acompanhar de perto o que vai acontecer na execução” dessas verbas.
Por fim, e referindo-se ao Fundo de Desenvolvimento de Rotas Aéreas dos Açores, Gualter Couto lembrou: “a nossa intenção é que pudéssemos ter algum anúncio ainda este ano”.
