Empresário da "Passerelle" pagou mais de 175 viagens a strippers


 

Lusa/AO online   Nacional   16 de Out de 2007, 17:40

O empresário Vítor Trindade, fundador da rede de casas "Passerelle", confirmou  em Tribunal ter pago mais de 175 bilhetes para bailarinas estrangeiras, que entraram em Portugal com visto turístico apesar de irem trabalhar nos seus estabelecimentos.
    Na sessão desta terça-feira, Vítor Trindade explicou que essas mulheres vinham "todas para trabalhar em Portugal" e só se quisessem ficar mais de 90 dias (prazo limite do visto de turismo) é que iriam legalizar-se.

    "A ideia era ver se elas queriam continuar ou não e se eu as queria", justificou o empresário, confirmando assim os indícios de auxílio à imigração ilegal de que vinha acusado pelo Ministério Público (MP).

    Nalguns casos, o custo do bilhete da viagem para as mulheres, angariadas por agentes no Brasil, Canadá, Roménia, Eslováquia e Letónia, era pago na íntegra pelo empresário; noutros, 50 por cento era descontado nas comissões sobre as bebidas.

    Durante a maior parte do dia, Vítor Trindade foi confrontado com o nome de várias bailarinas que integraram a rede, mas em muitos casos o empresário disse não se lembrar delas.

    Na fase final da inquirição da juíza-presidente do colectivo, Patrícia Costa, o empresário confirmou os rendimentos declarados do seu agregado familiar (23 mil euros anuais), mas os magistrados duvidaram que fossem apenas esses os rendimentos, tendo em conta o apartamento que possuía no Algarve e o estilo de vida que tinha.

    Perante as alegações do arguido de que as declarações de impostos eram verdadeiras, a juíza Patrícia Costa respondeu que o colectivo iria "retirar as suas próprias conclusões", indiciando não confiar na palavra do arguido.

    Quando chegou a vez do MP, o procurador criticou a postura da defesa, que tem contestado o facto de o julgamento ter lugar em Leiria, quando o grupo não tem interesses neste concelho.

    O procurador apresentou cópias de uma carta enviada a uma discoteca de Leiria em que oferecia a proposta de um "franchising" a uma discoteca da cidade.

    Nessa carta, a rede referia procurar "discotecas na zona de Leiria disponíveis para se converterem numa operação de sucesso de 'strip' com a projecção e garantias que o nome Passerelle integra como parceiro".

    Em resposta a esta acusação, o empresário Vítor Trindade disse não se recordar dessa proposta de negócio.

    No Tribunal de Leiria, além de Vítor Trindade, duas dezenas de arguidos respondem apenas por crimes de auxílio à imigração ilegal, tráfico de pessoas e associação criminosa, já que a evasão fiscal foi separada deste processo e será julgada à parte.

    Na quarta-feira da semana passada, o colectivo ordenou a separação dos crimes fiscais do processo principal com extracção de certidões para que o julgamento tenha lugar noutro local, provavelmente em Lisboa, mas o MP já anunciou que vai recorrer desse despacho para a Relação de Coimbra.

    A decisão de separar os processos seguiu-se ao pedido interposto pelos defensores dos arguidos que irão ser julgados à parte no processo de evasão fiscal sobre os mais de 20 milhões de facturação apurados pelas autoridades nas várias casas do grupo.

    Em Janeiro de 2006, os alegados cabecilhas da rede foram detidos pelas autoridades no âmbito da operação "Yankee", tendo surgido suspeitas de tráfico de mulheres e apoio à prostituição.

    No entanto, a maior parte desses indícios acabaram por não ser provados em fase de investigação e as autoridades concentraram-se nos crimes fiscais e auxílio à imigração ilegal

    A próxima sessão do julgamento terá lugar na quinta-feira, às 08:15 (hora dos Açores)

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