Em Manhattan, o "novo normal" é andar a pé, esperar, procurar tomadas

Em Manhattan, o "novo normal" é andar a pé, esperar, procurar tomadas

 

Lusa/AO online   Internacional   31 de Out de 2012, 15:16

Numa cidade que se gaba de ser centro do mundo, dois dias depois da passagem do furacão Sandy, em Nova Iorque o cenário é próprio de um país em desenvolvimento, com trânsito compacto e falta de serviços básicos.

Com o serviço de metro ainda suspenso devido aos estragos causados pelas inundações, ao final da tarde de terça-feira a empresa de transportes da cidade (MTA) pôs em circulação os primeiros autocarros, gratuitos, criando uma alternativa aos táxis, para quem não tem automóvel.

Mas hoje no centro da "ilha", a maior parte destes autocarros circulavam com a indicação "próximo autocarro, por favor", de tão cheios que vinham da zona baixa da cidade, onde em quase todos os edifícios não há eletricidade e em muitos também a água deixou de correr.

A meio da manhã, Jane Moskowitz esperava há quase uma hora, mas pacientemente, por autocarro, enquanto lia o jornal do dia.

"O meu patrão sabe que não vou chegar a horas. Nesta altura temos todos de ser compreensivos", disse à Lusa a secretária de uma firma de advogados, residente na baixa de Manhattan ("downtown").

Os passeios do centro de Manhattan, quase totalmente paralisada até meio do dia de terça-feira, lembram hoje mais um dia de trabalho normal, mas muitos circulam com malas e sacos de viagem, em direção a casa de amigos.

A Lusa encontrou um funcionário português das Nações Unidas que fumava à porta do local de trabalho, com uma mala de viagem e um saco isotérmico com alimentos.

Até que seja restabelecida a eletricidade no seu apartamento, um 31.º andar, irá dormir num colchão insuflável no local de trabalho e tomar banho no ginásio do escritório, relatou.

Aguardando-se que o serviço de metro seja restabelecido parcialmente na quinta-feira, entrar, sair ou circular nas ruas e avenidas de Manhattan é hoje um exercício de paciência, dada a confluência de táxis, automóveis privados e carros de aluguer.

Algumas empresas, como o Barclays, tinham serviços de "shuttle" a buscar os empregados a casa e trazê-los até ao centro financeiro de Wall Street, que reabriu hoje.

Os serviços de aluguer de automóveis estavam também assoberbados, podendo observar-se longas filas à porta de empresas como a Hertz.

Na "downtown", o cenário é hoje ainda tão desolador quanto na terça-feira, sem eletricidade e portanto com lojas e escritórios encerrados.

Só a partir desta noite começará a ser restabelecido o fornecimento de eletricidade, em primeiro lugar para o extremo sul, próximo do centro financeiro.

A cidade começa a ganhar "vida" na rua 40, próximo das Nações Unidas, mas mesmo aí algumas lojas estão encerradas, dado que os funcionários residem fora da cidade e não conseguiram chegar ao local de trabalho.

No Carvi Hotel, do hoteleiro português Alfredo Pedro, os funcionários residentes em Nova Jersey dormiram no local de trabalho, tal como muitos dos porteiros dos prédios da cidade.

Ainda hoje será também retomado o serviço de comboio para Long Island (LIRR) e Metro North, de que dependem muitos dos trabalhadores que vivem nos subúrbios.

Com grande parte da cidade às escuras, havia hoje pequenos ajuntamentos junto a tomadas em cafés e até dependências bancárias, de gente munida de fichas triplas para carregar telemóveis e computadores.


Açormédia, S.A. | Todos os direitos reservados

Este site utiliza cookies: ao navegar no site está a consentir a sua utilização.
Consulte os termos e condições de utilização e a política de privacidade do site do Açoriano Oriental.