Diabéticos têm propensão para doenças cardíacas mais cedo


 

Lusa / AO online   Nacional   28 de Set de 2007, 17:44

Os diabéticos possuem um risco de contrair doenças cardíacas mais cedo e com consequências mais graves, por apresentarem sintomas atípicos e reagirem pior à medicação, disse na Figueira da Foz um especialista em medicina cardiovascular.

"Além dos diabéticos terem mais propensão para doenças cardíacas mais cedo, ela será mais grave, mais severa para o músculo cardíaco", disse à agência Lusa Pedro Monteiro, da Unidade de Investigação Clínica em Cardiologia dos Hospitais da Universidade de Coimbra (UICC/HUC).

Intervindo no 9º Encontro Internacional de Doenças Cardiovasculares de Coimbra, que decorre até sábado na Figueira da Foz, Pedro Monteiro dissertou sobre o tema da revascularização coronária em diabéticos.

Frisou que uma em cada três crianças e adolescentes têm excesso de peso e que "a maioria" vai, no futuro, ser diabética e doente cardiovascular.

"Quando isso acontece desde os primeiros anos de vida, podemos esperar doenças cardíacas numa fase mais precoce, aos 30, 40 anos, quando antes apareciam aos 50 60 ou 70 anos. Mais cedo e mais grave significa mais mortos e incapacitados", alertou.

Para Pedro Monteiro, os diabéticos "representam um desafio crescente no que às doenças coronárias diz respeito", já que podem apresentar sintomas atípicos - sem angina de peito ou alteração da percepção da dor, entre outros - e uma má resposta à medicação clássica".

"São necessárias técnicas diferentes de tratamento que ataquem o problema dos diabéticos no seu todo. Não apenas na artéria coronária mas sobre a tensão alta e controle do peso", explicou.

Sendo a diabetes uma doença crónica, o especialista avisou que o tratamento não visa a cura - a doença não desaparece - mas que é possível minimizar riscos de complicações, nomeadamente ao nível cardiovascular.

"A partir do momento em que se manifesta não podemos cantar vitória. Podem-se corrigir situações agudas se o doente seguir o tratamento e a medicação, mas é imperativo que a questão seja atacada a montante, na prevenção dos comportamentos de risco", sublinhou.

"Só conseguiremos ganhar esta guerra se houver uma alteração nos comportamentos", acrescentou Pedro Monteiro, aludindo ao sedentarismo, hipertensão arterial, alimentação desregrada e obesidade como factores potenciadores do risco de doenças cardíacas.

Disse ainda que o "simples facto" de uma pessoa ser diabética "aumenta grandemente o risco" de vir a padecer de uma doença cardiovascular.

Cerca de meio milhar de participantes, entre especialistas de cardiologia e medicina interna e estudantes finalistas de Medicina debatem até sábado, na Figueira da Foz, os últimos avanços na investigação e tratamento de doenças cardiovasculares.

O evento é promovido pelo serviço de Cardiologia dos HUC, em parceria com a Mayo Clinic (EUA) e Universidade de Munster (Alemanha), duas das mais prestigiadas instituições internacionais na área da cardiologia.

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