Defensores dos animais saúdam fim da sopa de barbatana de tubarão em banquetes oficiais chineses

Defensores dos animais saúdam fim da sopa de barbatana de tubarão em banquetes oficiais chineses

 

Lusa/AO online   Internacional   9 de Dez de 2013, 09:02

Os defensores dos direitos dos animais congratularam-se esta segunda-feira com a decisão das autoridades chinesas de banir a sopa de barbatana de tubarão das receções oficiais, esperando que esta proteção se alargue a outras espécies ameaçadas.

"Eis uma decisão apreciável e corajosa do Governo chinês", afirmou Alex Hofford, da organização MyOcean, com sede em Hong Kong.

"Isto vai ter consequências importantes na sociedade (chinesa), porque quando o Governo mostra um caminho, o setor privado não demora a segui-lo", acrescentou.

No domingo, o Conselho de Assuntos do Estado (Governo) e o comité central do Partido Comunista chinês (PCC), órgão dirigente do país, publicaram uma diretiva que proíbe "servir pratos com barbatana de tubarão, ninhos de andorinha e produtos provenientes de animais selvagens nos jantares e receções oficiais".

"Os organizadores de visitas oficiais ou de visitas de missões de negócios deverão preparar as refeições, observando normas de despesas pertinentes. Os anfitriões locais estão autorizados a organizar um único jantar oficial, caso isso seja necessário", de acordo com a diretiva.

O documento proíbe também ofertas de bebidas alcoólicas ou cigarros de luxo, em receções oficiais.

A sopa de barbatana de tubarão é considerada, há séculos, uma iguaria na China e o preço atinge níveis muito elevados nos mercados, nomeadamente em Hong Kong.

Esta tradição levou à pesca desenfreada de tubarões em todo o mundo. As barbatanas são cortadas, em animais ainda vivos que são, em seguida, lançados mutilados ao mar, acabando por morrer.

Nos últimos anos, sob a pressão de organizações não-governamentais e instituições internacionais, um número crescente de personalidades chinesas, hotéis e restaurantes declararam renunciar à sopa de barbatana de tubarão.

Foi o caso da "estrela" chinesa do basquetebol, Yao Ming, 'gigante' retirado dos campos, mas cujos gestos e declarações continuam a ser seguidas por milhões de chineses.

A decisão das autoridades comunistas foi, principalmente, motivada pelo custo exorbitante da sopa de barbatana de tubarão, mais do que por uma tomada de consciência sobre a ameaça para as populações de tubarões, explicou Gary Stokes, um responsável da ONG Sea Sheperd.

"A principal razão são as poupanças que se podem realizar no quadro do plano de austeridade. Mas as consequências vão ser enormes para a proteção dos tubarões", congratulou-se.

O "número um" chinês, Xi Jinping, prometeu impor um estilo de vida mais sóbrio aos quadros do partido e a comissão central de controlo da disciplina, "polícia" do partido único, enumerou em setembro as despesas a eliminar, como banquetes, ginásios, presentes de bebidas ou alimentos ou atividades de lazer sem qualquer relação com as funções oficiais.

O fim das refeições luxuosas inscreve-se nesta campanha.

A decisão anunciada no domingo "é crucial por todos os motivos", mas principalmente "por criar um precedente muito necessário", disse à agência noticiosa francesa AFP Matthew Durnin, especialista em espécies em perigo, que trabalhou durante 20 anos na China.


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