Conselho da Ilha Graciosa diz que executivo “não pode responder a tudo” e mantém prioridades

O presidente do Conselho de Ilha da Graciosa, nos Açores, admitiu que o Governo Regional (PSD/CDS-PP/PPM) não pode responder a todas as reivindicações e mantém prioridades em setores como a saúde e acessibilidades rodoviárias.



No final de uma reunião do Conselho de Ilha com o Governo açoriano, realizada no edifício da Biblioteca Municipal de Santa Cruz da Graciosa, Ricardo Ramalho disse aos jornalistas que o Governo Regional “não pode responder a tudo”, mas os conselheiros teceram prioridades e vão mantê-las, como é o caso do futuro do hotel.

Em relação à unidade hoteleira da ilha, explicou no final da reunião, que durou mais de três horas, que aquele órgão pretende que o futuro comprador mantenha a unidade “aberta todo o ano”.

Segundo Ricardo Ramalho, na reunião, que foi “longa”, os conselheiros incidiram “em várias prioridades”.

“E essas prioridades, em meu entender, foram moderadamente satisfatórias. Nós trouxemos aqui questões essenciais para a ilha Graciosa. Algumas delas foram respondidas, e muito bem. E outras não foram respondidas como nós entendemos”, declarou.

O responsável referiu que questões sobre saúde e acessibilidades rodoviárias, não foram respondidas pelo executivo liderado por José Manuel Bolieiro.

“A Graciosa ainda não teve uma resposta eficaz para os problemas dos graciosenses”, vincou.

Quanto a preocupações que foram atendidas, elencou a aquisição do terreno para o entreposto frigorífico das pescas, a execução do projeto para a marina da barra e assuntos relacionados com educação.

“A abertura [do Governo Regional para resolver problemas] é naturalmente sempre positiva. Agora, nós queremos execuções concretas, porque muitos dos pontos do Conselho de Ilha vêm de memorandos anteriores”, concluiu.

No final dos trabalhos, o presidente do Governo Regional dos Açores, José Manuel Bolieiro, fez um balanço positivo da sessão, referindo que desde a anterior visita à ilha, em 2022, bem como desde o início do mandato, fez “algo que valorizou já muito a economia e a sociedade da ilha Graciosa”.

No setor da saúde, apesar das reivindicações para colocação de mais médicos de família, referiu que o Governo Regional tem na Graciosa “já muitos resultados alcançados que favorecem as melhores condições de saúde prestadas à população”.

“Nós tivemos mais consultas, nós tivemos mais exames, nós tivemos mais especialistas deslocados ao Centro de Saúde da Graciosa como nunca dantes havia acontecido”, vincou, indicando que na terça-feira será inaugurado um aparelho de raio-x.

Bolieiro observou que a “grande preocupação é [ter] mais médicos” e que o executivo vai procurar contratar “um terceiro médico, que é essencial para a cobertura a 100% da medicina geral familiar” e assegurar uma médica que possa deslocar-se, por exemplo, uma semana por mês, para “colmatar as necessidades de maior emergência”.

“Não há uma varinha mágica, mas há um reconhecimento desta prioridade, desta necessidade, e tudo faremos [para a colmatar]. A senhora secretária Regional da Saúde e Desporto está já no terreno a trabalhar para este efeito”, assumiu.

Entre outros aspetos, o presidente do Governo dos Açores referiu-se à alienação do hotel (atualmente concessionado à Fundação INATEL) e esclareceu que, no processo, serão tidas em conta as condições que “garantam o interesse da Graciosa" e "o interesse da região”.

O Governo dos Açores termina na terça-feira uma visita estatutária de dois dias à ilha Graciosa.

Segundo o Estatuto dos Açores, o Governo Regional tem de visitar cada uma das ilhas do arquipélago pelo menos uma vez por ano, com a obrigação de reunir o Conselho do Governo na ilha visitada.

 


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