“Nenhum salário aumentou tanto como o aumento generalizado dos preços”. A afirmação é de Rui Teixeira, coordenador nos Açores da Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses - Intersindical Nacional (CGTP-IN).
Rui Teixeira falava, em Ponta Delgada, numa conferência de imprensa onde se mostrou preocupado com o agravamento das dificuldades financeiras dos trabalhadores açorianos.
“Nós não podemos ficar para a História com uma Região que é marcada pelo crescimento económico e pelo crescimento da pobreza”, alerta o coordenador da CGTP-IN nos Açores.
Lembrando que estão a aumentar as dificuldades dos trabalhadores, das famílias e dos pensionistas, Rui Teixeira considerou que “não há nenhuma forma de explicar esta situação, a não ser pelos lucros recorde que todos os anos são batidos pelas grandes empresas e pelo aumento generalizado dos preços”.
Por isso, a CGTP-IN reafirma a necessidade de “um aumento significativo dos salários”, recordando Rui Teixeira que “apresentámos no nosso caderno reivindicativo, como elemento central, a valorização de todos os salários, colocando como patamar 150 euros no imediato ou 15% conforme o salário. E quando assim falamos, parece que é um valor disparatado, mas 150 euros de aumento no imediato não permitem combater a inflação dos últimos anos”.
Questionado sobre se a atual situação internacional, com a crise energética desencadeada com a Guerra noIrão, pode levar a um aumento do desemprego nos Açores, Rui Teixeira admite que sim.
E explica: “porque temos uma Região que apostou todas as suas fichas num setor, em particular o setor do turismo, que é importante, mas não pode substituir a produção regional e quando estamos numa Região em que explorações agrícolas com 80 cabeças de gado encerram por falta de condições económicas, estamos numa Região que está a desvalorizar a sua economia produtiva”.
A CGTP-IN Açores está igualmente preocupada com a pressão das grandes empresas junto do Governo da República para “impor, mais uma vez, uma vontade unilateral através de um pacote laboral que, na prática, trata os trabalhadores como sendo meros números e meras ferramentas que, quando estão gastas, podemos substituir”.
E nos Açores, denuncia Rui Teixeira, “algumas entidades patronais têm agido como se o pacote laboral já estivesse aprovado, aproveitando para pressionar a negociação salarial para baixo, apresentando propostas que reduzem direitos e que reduzem condições de trabalho quanto aquilo que era necessário era encontrar mecanismos nos Açores para melhor distribuir a riqueza gerada”.
E em que setores estão a acontecer estas situações? “Na limpeza e na segurança”, responde Rui Teixeira, denunciando que nesses setores “a negociação coletiva, que é imposta na Região, inclusive prestando serviços para o Governo Regional, é feita com piores condições do que a negociação coletiva que é feita no plano nacional. Portanto, são pessoas que estão a prestar o mesmo serviço, no mesmo país e com condições de trabalho piores, com a agravante de estarmos a falar de empresas que muitas vezes prestam serviço para o setor público”.
Mas também na construção civil, na indústria e na hotelaria há empresas que “apresentam propostas de negociação que não são aceitáveis”, conclui Rui Teixeira.
