"O Irão virá, isso é certo", declarou Gianni Infantino, na quarta-feira, durante uma conferência económica organizada pela emissora norte-americana CNBC em Washington.
"Esperamos que até lá [o início da competição, a 11 de junho], a situação já seja pacífica, o que ajudaria muito", explicou o dirigente suíço.
"Mas o Irão tem de vir, representam o seu povo, qualificaram-se, os jogadores querem jogar", disse Infantino.
O presidente da FIFA visitou a seleção iraniana durante um estágio em Antalya, na Turquia, no final de março, e assistiu ainda à vitória da equipa sobre a Costa Rica (5-0), num jogo particular disputado sem adeptos.
Na altura, o vice-presidente da Federação Iraniana de Futebol (FFIRI), Mahdi Mohammadnabi, garantiu que os persas “vão cumprir todas as decisões da FIFA”, mas advertiu que “cada país anfitrião da competição “assumiu compromissos e deve respeitá-los”.
A 23.ª edição do Campeonato do Mundo realiza-se de 11 de junho a 19 de julho e conta pela primeira vez com 48 seleções, numa inédita organização tripartida entre Canadá, México e Estados Unidos, sede dos três jogos dos iranianos no Grupo G, formado também por Bélgica, Egito e Nova Zelândia.
Apurado pela sétima vez, e quarta seguida, o Irão defronta os neozelandeses e os belgas em Los Angeles, em 16 e 21 de junho, respetivamente, e fecha a primeira fase diante dos egípcios, no dia 27 do mesmo mês, em Seattle.
O Irão é um dos países cujos residentes estão impedidos de entrar nos Estados Unidos pela administração do Presidente norte-americano Donald Trump, que já prometeu isentar jogadores, equipas técnicas e outros funcionários antes do torneio.
No entanto, Trump também desaconselhou a presença da seleção iraniana e disse que os jogadores poderiam não estar seguros nos Estados Unidos (EUA).
Gianni Infantino disse ter recebido garantias de Donald Trump, com quem tem uma relação próxima, de que o Irão terá permissão para entrar nos Estados Unidos.
"O desporto deve estar fora da política", reafirmou o presidente da FIFA, na quarta-feira.
"Tudo bem, não vivemos na Lua, vivemos no planeta Terra. Mas se mais ninguém acredita em construir pontes e mantê-las intactas e unidas, então somos nós que vamos fazer esse trabalho", explicou Infantino.
O dirigente afirmou ainda que o maior Mundial alguma vez organizado, em três países e com 48 seleções, será "um sucesso" se for "bem-sucedido do ponto de vista da segurança, ou seja, sem incidentes, e do ponto de vista do futebol, com grandes jogos e futebol emocionante".
