“Conseguimos dar a volta e pudemos festejar no fim do ano”

Luís Miguel Rego, piloto de ralis (campeão absoluto de ralis dos Açores)



Que balanço faz do Campeonato dos Açores de Ralis (CAR) de 2025, no qual reconquistou o título absoluto de campeão dos Açores de ralis?

Não há campeonatos fáceis e muito menos ganhos à partida. A prova disto mesmo foi a forma como se desenrolou a competição do ano passado. Após dois resultados menos bons foi preciso recuperar a liderança no campeonato para assegurar o quarto título no final do ano. Como equipa, nunca duvidámos do nosso trabalho, mas a competição automóvel é fértil em desafios, surpresas e problemas como os que nos aconteceram nos ralis de Ponta Delgada e da Graciosa. Depois de conseguir superar tudo isso, o balanço do ano tem de ser muito positivo.

Qual foi o momento mais alto da temporada para si e para sua equipa, o Team AC Cymbron?

Obviamente, quando se ganha, o momento do ano tem de ser aquele em que se carimba o campeonato. No nosso caso, o rali do Pico fechou as contas do título e tirou dos ombros de toda a equipa a pressão de saber que não existia margem de erro, mas que, mesmo assim, era preciso recuperar o atraso que chegámos a ter na tabela classificativa.

Em sentido inverso, qual terá sido o pior momento da época?

Penso que terá sido o resultado do Rali da Graciosa, até porque já vínhamos de uma desistência no Rali de Ponta Delgada. Depois de uma pequena saída na superespecial de arranque do rali, acabámos por vencer todas as restantes especiais de classificação, mas não conseguimos fazer melhor que o 8.º lugar final, deixando-nos em posição muito difícil para o restante campeonato. Felizmente conseguimos dar a volta por cima e pudemos festejar no fim do ano.

Com quatro títulos de campeão dos Açores de ralis em absolutos no palmarés (2018, 2019, 2022 e 2025), qual é a motivação que tem para continuar no automobilismo, um desporto caro e com cada vez menos apoios e patrocinadores?

Os ralis estão-me no sangue. Cresci no meio dos automóveis a ver o meu pai a fazer corridas e por isso não é difícil encontrar motivação para fazer um desporto que é também uma paixão. É verdade que tem sido cada vez mais difícil montar e manter projetos desportivos, mas temos conseguido encontrar as soluções que nos permitem estar à partida no campeonato. 

Em 2025, por exemplo, tivemos um conjunto de patrocinadores que foram fundamentais, alguns dos quais já nos acompanham há muitos anos, mas dos quais tenho de realçar a AC Cymbron, através da Garagem de São José, que apostou em nós e, em última análise, na modalidade. Aliás, contribuir para os ralis em tempos difíceis é outra das motivações que encontro para não abandonar a modalidade ou ir para outros campeonatos. Fazemos isso mantendo presença no Campeonato dos Açores de Ralis com um carro de topo, o que acaba por ser aquilo que mais motiva as pessoas a ir para a estrada e, por outro lado, contribuindo para as participações de outros pilotos através da nossa estrutura de preparação e assistência, a Rego Jr Garage. A esse nível, 2025 foi também extremamente motivador porque tivemos connosco, consistentemente, em cada prova, três a quatro pilotos. Em Santa Maria chegamos a dar assistência a seis carros.

Em 2026, o CAR vai contar com nove provas disputadas em sete ilhas. Que comentário lhe merece este calendário, numa região com grandes constrangimentos ao nível dos transportes e com cada vez menos apoios disponíveis para organizações e equipas?

O calendário de 2026 não favorece os interesses da maior parte das equipas e, portanto, não me parece que seja favorável para o campeonato em si. 

Os pilotos no ativo são os mesmos e, se no passado, já eram poucos a fazer o campeonato por inteiro, agora os orçamentos disponíveis deverão levar a uma maior dispersão de participações e algumas provas poderão sofrer ao nível da lista de inscritos. Para dificultar ainda mais a vida das equipas interessadas em fazer o campeonato de forma assídua, a logística relacionada com os transportes também se tornará mais complicada, isto para não falar das exigências ao nível da disponibilidade de tempo e do cansaço acumulado para pilotos e equipas técnicas. Nada disto é novo, mas também já se viu que as dificuldades dos pilotos não são de resolução prioritária.

Atendendo a tudo isso, qual seria o número de provas ideal para o CAR?

Penso que o modelo de campeonato com seis ou sete provas seria o mais indicado, porque permitiria manter o caráter regional da competição que continuaria a passar por várias ilhas, ao mesmo tempo que faria baixar custos de participação e, portanto, fomentaria a participação de pilotos num maior número de provas ou até permitiria aumentar a qualidade dos respetivos projetos desportivos. Um maior espaçamento entre provas também seria bem vindo por parte das equipas e, acredito, até por parte dos elementos das comissões organizadoras dos clubes que organizam mais do que um rali.

A temporada de 2026 já começou a ser pensada, planeada, ao nível de participações e até mesmo viatura?

Sim, de outra forma dificilmente chegaríamos a tempo do primeiro rali da época. No entanto, ainda não está tudo definido a 100%. Estamos a trabalhar com os nossos patrocinadores no sentido de tentar viabilizar a nossa participação no campeonato.

Certo é que vamos manter a aposta no Skoda Fabia RS Rally 2 e que tudo faremos para disputar o campeonato por inteiro.








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