Listas de espera

Comunicação social acusada de "deturpar" relatório

Comunicação social acusada de "deturpar" relatório

 

Lusa / AO online   Nacional   26 de Out de 2007, 11:52

O ministro da Saúde, Correia de Campos, garantiu esta sexta-feira que o Tribunal de Contas "louva" o trabalho de combate às listas de espera e acusou a comunicação social de veicular “uma ideia completamente deturpada” sobre o relatório.
“O TC veio dizer que estamos a trabalhar bem no combate às listas de espera, que o tempo de espera baixou e que o balanço é francamente positivo, mas o que foi veiculado pela comunicação social é que o Ministério não conseguiu controlar as listas de espera”, referiu.

“É uma ideia deturpada, completamente deturpada”, queixou-se Correia de Campos, frisando que o TC “louva o trabalho” do Ministério da Saúde, embora tecendo algumas críticas e apontando o caminho a percorrer no futuro.

Falando em Viana do Castelo, no decorrer do II Fórum das Cidades Saudáveis, Correia de Campos queixou-se igualmente da “pressão” com que se confronta “todos os dias”, sendo “esta com muito mais vil e mesquinho interesse” quando exercida por parte de quem vender alguma coisa ao Ministério da Saúde.

“A saúde é um mercado enorme, que gasta 10 biliões de euros e por isso, tenho todos os dias a bater-me à porta gente que quer vender-me um aparelho, um produto ou uma ideia”, referiu.

“A melhor forma de vender uma ideia é dizer aos cidadãos que aquela área está a correr muito mal e, logo a seguir, apresentar a solução, o milagre”, criticou.

Exemplificou mesmo com os aspiradores/vaporizadores que estão a ser vendidos aos reformados e idosos, que, depois, “nem sequer forças têm para os manobrar”.

Noutra área, Correia de Campos teceu críticas “às grandes catedrais da saúde”, ou seja, centros de saúde com 40 ou 50 médicos, que classificou como “um erro enorme e grave” que foi cometido no passado, resultado de uma cópia do “modelo concentracionista” dos hospitais.

“Não construiremos mais monstruosos centros de saúde, isolados, perdidos, longe dos cidadãos. O que fizermos de novo será em unidades mais pequenas e mais próximas dos cidadãos”, garantiu, para frisar a aposta do Governo em unidades de saúde familiares.

Refutou críticas que apontam para uma política economicista na área da saúde, garantindo que o sector tem vindo, nos últimos dois anos, a gastar sempre acima do Produto Interno Bruto (PIB).

“O que não podíamos era continuar a gastar três vezes acima do PIB, como acontecia no passado, sem condições de sustentabilidade. Temos de garantir que o Ministério não seja afogado em dívidas até ao pescoço. Isso acabou”, disse.

Enfatizou o facto de, pelo segundo ano consecutivo, não haver orçamento rectificativo para a saúde, sublinhando o esforço feito para conseguir conter a factura com os medicamentos, tanto nas farmácias como nos hospitais.

A propósito das cidades saudáveis, Correia de Campos não perdeu também a oportunidade de criticar o piso das ruas de Lisboa, que classificou como “uma desgraça”.

Disse que, como gosta de caminhar pelo menos meia hora por dia, é obrigado a comprar “sapatos bons”, em nome da saúde dos pés.


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