Os comerciantes da baixa da cidade de Ponta Delgada saúdam, na generalidade, a programação de Natal apresentada quinta-feira pela Câmara Municipal de Ponta Delgada, mas a grande maioria considera que as atividades não conseguem mitigar os constrangimentos e os problemas que diariamente enfrentam nesta zona da cidade, marcada nos últimos tempos pelo encerramento de diversos estabelecimentos.
Ainda assim, a iniciativa da autarquia é vista como sendo “medidas positivas”, como vincou Rodolfo Tavares, da Casa Cristal.
“Tudo o que seja para trazer pessoas, animar o centro que anda um bocadinho esquecido, todas estas medidas são efetivamente positivas”, afirmou o comerciante em declarações ao Açoriano Oriental, salientando que a animação prevista, aliada à “isenção do parquímetro” em determinados períodos do mês “trazem as famílias, trazem animação, trazem de novo vida à nossa cidade e o comércio, por arrastamento, beneficia sempre”.
O responsável pela Casa Cristal assinala ainda que estas iniciativas “fazem-nos ter a certeza que a Câmara não se esqueceu de nós, porque às vezes sentimo-nos um bocadinho postos de parte”, finalizou Rodolfo Tavares.
Uma ideia que também é partilhada por Tiago Sá.
“Todas as iniciativas que incentivem as pessoas a virem para a baixa, para o centro da cidade, são sempre boas. A ideia é chamar e dar vida à cidade”, realça o responsável pela Londrina à nossa reportagem.
Ainda assim, o comerciante ligado ao setor do pronto-a-vestir destaca que “o estacionamento é complicado porque os parques não são suficientes”, pelo que a isenção de pagamento de parquímetro ao sábado “é sempre bom”.
“É sempre uma maneira de incentivar a pessoa a vir para o centro da cidade”, realçou Tiago Sá.
As medidas relacionados com o estacionamento são, para Mário Botelho, uma espécie de “penso rápido” que, por si só, sabe a pouco.
“Só isso não resulta. Só uma horinha não dá. O que faz falta são mais parques gratuitos para que as pessoas possam vir com mais tempo”, aponta o ourives.
O comerciante da Ourivesaria Aliança critica o facto das atividades estarem centradas “em determinada zona da baixa”, deixando de fora “o comércio situado na periferia da baixa”.
“É mais um ano em que estas iniciativas pouco trazem ao comércio, porque fica tudo concentrado ali naquela zona”, refere Mário Botelho que faz questão de vincar que saúda todas as “iniciativas que possam trazer mais gente à baixa de Ponta Delgada”.
O descontentamento é mais percetível nos comerciantes situados na Rua Machado dos Santos.
Embora classifique as medidas como “boas”, para Nuno Fernandes as iniciativas são “ligeiramente insuficientes”, recordando o gerente da Loja dos Óculos que “a baixa da cidade não é propriamente a área que ladeia a Câmara, mas também, por exemplo, esta rua”.
A mesma opinião é partilhada por Rosa Filipe.
“Se for idêntico ao dos últimos anos, a [rua] Machado dos Santos fica sempre esquecida! Dinamização na rua com espetáculos que possam atrair as pessoas, não há! O que há é sempre para o centro e o centro, para nós, não nos traz muito”, diz a responsável da loja Cavalinho.
Nuno Fernandes não entende o esquecimento a que é votada “a rua mais importante do comércio” na cidade de Ponta Delgada, designação que, recorda, até é utilizada pela autarquia nos passeios de lagarta que cruzam aquela artéria, exemplificando com um outro pormenor que faz toda a diferença: “as pessoas são atraídas pela luz e e também na questão da iluminação, que é sempre parca”, a Machado dos Santos acaba por não merecer a atenção que os comerciantes pedem.
O oculista pede, assim, à autarquia “uma melhor iluminação, uma melhor preocupação pelas artérias principais”, recordando que “o que sustenta uma região, um país e o mundo é o comércio. E se o comércio cair...”
Finalmente, e no que diz respeito às medidas avançadas para o estacionamento, Rosa Filipe destaque que “é melhor que nada. Mas não ajuda”.
“Os sábados não são uma mais valia. Na melhor das hipóteses diria que durante a semana e não apenas no fim de semana, com um horário que pudesse ser mais benéfico para todos, mas durante a semana. O que há atualmente é mais do mesmo, porque tem sido feito todos os anos e não resulta”, recorda a comerciante.
O Açoriano Oriental regista que alguns comerciantes, ora com receio de represálias, ora por considerarem que o que dizem acaba sempre por “cair em saco roto”, optaram por não se pronunciar.
