A Aula Magna da Universidade dos Açores e o Arquipélago – Centro de Artes Contemporâneas recebem, entre hoje e sábado, o encerramento da exposição da artista plástica madeirense Lourdes Castro ‘Existe Luz na Sombra’, que está a decorrer, desde setembro do ano passado, no Arquipélago.
Hoje e amanhã, o palco é a Universidade dos Açores que recebe o colóquio ‘Sombra-Luz’, dedicado à vida e obra da artista. No dia 31 de janeiro, tem lugar, no Arquipélago, a estreia nacional da visita dançada.
Em declarações ao jornal Açoriano Oriental, Márcia de Sousa, curadora da mostra, explica que a programação que foi sendo desenvolvida ao longo destes meses “permitiu-nos pensar as comunidades educativas, particularmente a academia, e tentar desenvolver um projeto que permitisse pensar um pouco os contextos relativos às artes plásticas e às artes contemporâneas no seu todo”.
Desta forma, surgiu a ideia de estender a parceria já alargada, através do MUDAS.Museu de Artes Contemporâneas da Madeira, do Arquipélago - Centro de Artes Contemporâneas, da Sociedade Nacional de Belas Artes e outros parceiros que se juntaram ao projeto, como a Companhia Dançando com a Diferença, “para estendê-la à Universidade dos Açores e organizarmos este colóquio para, em conjunto, pensarmos diversas fases, enquadramentos e perspetivas da vida e obra de Lourdes Castro”, que, apesar de ter nascido na Madeira, “é uma das artistas de maior relevo nacional dos últimos 70 anos e com uma obra pioneira, se calhar até avant-garde, em relação à sua época.”
Márcia de Sousa adianta que, em paralelo, optaram por fazer um convite a um conjunto de “investigadores de várias áreas, não só das artes plásticas, da história, da filosofia, da estética, mas também cineastas, performers no campo do corpo e da dança, que muito tem a ver também com a obra de Lourdes Castro”, para igualmente, “pensarmos os enquadramentos que envolveram a obra da Lourdes e trazer à comunidade outras perspetivas, nomeadamente de que forma é que a obra de Lourdes Castro pode influenciar as novas gerações, de que maneira é que ela já influencia as atuais”.
Portanto, estas perspetivas serão trabalhadas através das comunicações que “serão levadas a palco pela professora Raquel Henriques da Silva, que foi uma das diretoras do Museu Nacional de Arte Contemporânea; pelo professor Nuno Faria, é o atual diretor da Fundação Arpad Szenes - Vieira da Silva”.
Marcam presença também no Colóquio, o arquiteto Victor Mestre, com uma “comunicação específica sobre a obra maior de Lourdes Castro, nomeadamente a sua casa, o seu jardim, o seu legado, e não só pensando os caminhos construtivos que levaram à estrutura que hoje existe, mas também pensando o futuro daquela estrutura”. Haverá, ainda, outras comunicações de Rita Rodrigues, Graça Alves - atual diretora do Museu de Arte Sacra do Funchal -, Leonor Keil - atriz, coreógrafa e encenadora -, que, “pelas suas relações familiares, teve uma proximidade, durante a sua infância, com a Lourdes Castro; entre outros convidados”, referiu a curadora.
“Gosto de andar à sombra”
No dia 31 de janeiro, pelas 11h30, o Arquipélago recebe a visita dançada, da Companhia Dançando com a Diferença. A coreografia de Leonor Barata foi desenhada especificamente para este último momento da mostra e irá “criar a proximidade entre as dinâmicas relativas às Artes Performativas e a tudo o que está exposto na exposição, convidando o público a interagir, de uma forma até disruptiva, com aquilo que é o tradicional dos circuitos expositivos, através de um diálogo com a Companhia de Dança, que vai fazer fruir a exposição de outra maneira”, afirmou Márcia de Sousa.
Entretanto, no dia 1 de fevereiro, pelas 16h00, decorrerá uma nova exibição desta visita dançada, no Arquipélago.
Márcia de Sousa salienta que haverá outras sessões desta visita dançada em contexto nacional, mas “escolhemos os Açores, em particular a ilha de São Miguel, para a primeira exibição deste projeto”. Isto porque “começamos um pouco ao contrário”, ou seja, quando se pensa em grandes exposições nacionais, “pensamos sempre, primeiro no continente e depois para as ilhas. Achamos que não, porque sendo nós ilhéus e também os Açores um arquipélago irmão, era importante conseguirmos que o primeiro ponto de partida fosse daqui dos Açores, até porque Lourdes Castro nunca tinha exposto nos Açores e esta foi a forma, apesar de ser póstuma, de a fazermos passar por cá”.
Balanço positivo
A curadora faz balanço positivo da passagem deste projeto pelos Açores, afirmando que “pelo feedback que temos recebido do Arquipélago e da comunicação que temos constantemente com a equipa daqui, temos sentido muito acolhimento, muita procura pela exposição, e sobretudo curiosidade porque as pessoas vão ouvindo falar do nome da Lourdes Castro, ou já ouviram falar, e isso faz com que procuram e querem saber mais. Isso é muito bom, é o que nos move”, finalizou.
Recorde-se que este é um projeto financiado pela DGARTES, através da Rede Portuguesa de Arte Contemporânea, e resulta de uma parceria do Governo Regional da Madeira, por via do MUDAS.Museu de Arte Contemporânea da Madeira, e do Governo Regional dos Açores (Direção Regional da Cultura), através do Arquipélago - Centro de Artes Contemporâneas, e da Sociedade Nacional de Belas-Artes.
