Açoriano Oriental
2018
Cimeiras entre as Coreias estancaram escalada de ameaças de guerra nuclear

As cimeiras entre a Coreia do Norte e a Coreia do Sul, eleitas o acontecimento internacional de 2018 pelos jornalistas da Lusa, foram aplaudidas como vitórias políticas, mas o trabalho diplomático mais difícil ainda está por fazer.

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Foto: KOREA SUMMIT PRESS POOL
Autor: Lusa/AO Online

A primeira cimeira do ano entre a Coreia do Norte e a Coreia do Sul, em abril de 2018, foi como o movimento de abertura num jogo de xadrez: os observadores sentiram que a forma como ali se jogasse iria determinar o resto de um complexo desafio psicológico num difícil tabuleiro político.

No final da guerra da Coreia (1950-1953), não foi assinado nenhum acordo, pelo que as reuniões dos líderes das duas Coreias e 2018 foram o momento inicial para tentar um tardio tratado de paz, que substituiria o armistício que durava há 68 anos.

Mas quando o Presidente da República Popular Democrática da Coreia, Kim Jung-un, se encontrou com o Presidente da República da Coreia, Moon Jae-in, em Panmunjom, na primeira de três cimeiras que ocorreram em 2018, não era apenas a relação entre os dois países que estava em jogo; também se discutia a possibilidade de uma aproximação entre a Coreia do Norte e os Estados Unidos, após uma escalada de ameaças verbais entre Kim e Donald Trump.

A possibilidade de uma guerra nuclear estava em cima da mesa e as cimeiras tiveram o mérito de desarmar a escalada política e militar, embora possa existir ainda uma diferença entre os acordos de paz e as reais intenções dos países que jogam no tabuleiro da península coreana.

A segunda cimeira, em maio, foi curta (duas horas apenas) e decorreu em território neutro, no pavilhão da unificação, tendo servido para uma boa oportunidade fotográfica (com várias famílias divididas pela fronteira a juntar-se para abraços de saudades) e para promessas de mais reuniões “em qualquer altura, em qualquer lugar”.

Poucas semanas após a cimeira de maio, nos jogos do campeonato do mundo de ténis de mesa, em Halmstad, na Suécia, os dirigentes desportivos da Coreia do Norte e da Coreia do Sul reuniram-se e decidiram fundir as duas equipas, nas partidas da fase final, perante a surpresa geral.

A decisão foi lida como a evidência do sucesso do encontro entre Kim Jung-un e Moon Jae-in e apesar da derrota da equipa conjunta da Coreia face ao Japão, a vitória diplomática entusiasmou a comunidade internacional e alisou o terreno para a aguardada cimeira entre os EUA e a Coreia do Norte.

Em 12 de junho, pela primeira vez na história, o Presidente dos EUA reuniu-se com o Presidente da Coreia do Norte, e conseguiram acertar uma declaração conjunta, acordando relações de paz, a trasladação de corpos de soldados americanos e a desnuclearização da península coreana.

Durante meses, Kim Jung-un tinha desafiado os EUA com testes nucleares envolvendo mísseis de longo alcance que poderiam atingir território norte-americano, a que Donald Trump respondia com frases inflamadas.

“Temos muita paciência, mas se formos forçados a nos defendermos e aos nossos aliados, não teremos outra hipótese senão destruir totalmente a Coreia do Norte”, tinha afirmado Donald Trump, nas Nações Unidas.

As cimeiras intercoreanas permitiram estancar a escalada de ameaças militares e diplomáticas, para alívio da Coreia do Sul, que procurava garantir a proteção dos EUA sem comprometer as suas relações com a China.

O Presidente chinês, Xi Jinping, foi um observador atento da aproximação entre as duas Coreias e vários analistas consideraram mesmo que foi o principal beneficiário das cimeiras, que ajudou a preparar quando o Presidente da Coreia do Norte visitou Pequim, em março de 2018 (o primeiro encontro que Kim Jung-un tinha com um homólogo de qualquer país).

A terceira cimeira, em setembro, terminaria com uma declaração conjunta que apelava a entendimentos militares entre as duas Coreias, reforçando a necessidade de desnuclearização da península e prometendo cooperação em diversas áreas económicas.

Por essa altura, a oposição interna a Donald Trump criticava a falta de cumprimento do acordo de desnuclearização por parte da Coreia do Norte, denunciando mais testes com mísseis nucleares, enquanto a China pedia um maior envolvimento de Donald Trump na pacificação real da península.

Os analistas dizem que as próximas cimeiras entre as Coreias serão mais difíceis, pela constatação de que a Coreia do Norte não está a fazer grandes progressos na desnuclearização, atravessa uma grave crise financeira e colocará muitas objeções em negociar questões relacionadas com Direitos Humanos.


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