CGTP acusa Sócrates de ataque aos sindicatos


 

Lusa / AO online   Nacional   12 de Out de 2007, 11:38

O secretário-geral da CGTP acusou hoje o primeiro-ministro de "comandar pessoalmente uma estratégia de ataque aos sindicatos", apontando que a intervenção de polícias no Sindicato dos Professores, na Covilhã, insere-se "nesse contexto".
    Manuel Carvalho da Silva falava aos jornalistas, no final de uma reunião com o ministro da Administração Interna, em Lisboa, para esclarecimento da acção policial às instalações e actividade daquele sindicato, afecto à FRENPROF.

    O sindicalista adiantou que os polícias que entraram naquele sindicato a pretexto de tirarem informações sobre a actividade do Sindicato dos Professores da Região Centro (Covilhã) "não podem ser bodes expiatórios" e que "foram mandados por alguém".

    Carvalho da Silva defende que se tratou de "uma intimidação" e que não foi um "acto isolado, porque há outras situações semelhantes".

    Exemplo disso mesmo é o ocorrido com forças policiais em Avis, onde "perguntaram aos trabalhadores municipais se iriam fazer greve", ou em Évora, onde também questionaram como "seria uma greve prevista para Guimarães" ou, ainda, intervenções em empresas, a "pedido dos patrões, como sucedeu recentemente no Montijo", disse.

    O secretário-geral da CGTP considera que "tudo isto insere-se numa actuação estratégica comandada pelo primeiro-ministro, lembrando que "desde 2000 se vem a desencadear um processo contra os dirigentes sindicais, para limitar a sua acção".

    "Os sindicatos são indispensáveis à democracia e as forças policiais não têm essa função de intervir nos processos laborais", comentou, advertindo que o "Governo está a preparar um ataque fortíssimo à revisão do Código do Trabalho, procurando intimidar os sindicatos".

    Quanto aos esclarecimentos do ministro da Administração Interna, Carvalho da Silva disse que Rui Pereira advogou que "que não havia ilícito no comportamento dos polícias, que foram de boa fé”.

    “Mas nós não acreditamos que eles tenham lá ido por sua iniciativa, alguém os mandou lá e ficou escondido", disse.

    A segunda questão avançada pelo ministro foi de que "vai aproveitar os acontecimentos para estabelecer normas técnicas, que nós pedimos para que sejam destinadas a pôr fim às actuações ilegais", acrescentou o sindicalista.

    A agência Lusa procurou ouvir os assessores do Ministério da Administração Interna, não tendo conseguido quaisquer declarações por parte do MAI
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