CDS/Açores lamenta gestão do Serviço Regional de Saúde, executivo fala em melhorias

CDS/Açores lamenta gestão do Serviço Regional de Saúde, executivo fala em melhorias

 

Lusa/AO Online   Regional   12 de Set de 2019, 13:46

O CDS-PP dos Açores levou hoje a debate no parlamento regional o tema da Saúde, uma "prioridade" e um setor com "má gestão" e "muitos problemas", com o executivo regional, socialista, a falar numa "evolução" ao longo dos últimos anos.

"Esta falta de planeamento e investimento conduziu o Serviço Regional de Saúde a uma realidade preocupante. O envelhecimento do quadro de médicos especialistas (...) e a inexistência de novos clínicos em formação provocará, se nada for feito, daqui a quatro, cinco, seis anos, a incapacidade de funcionamento de várias valências do sistema e conduzirá a um inadmissível retrocesso nos cuidados de saúde da região", declarou, no começo do debate parlamentar, o líder do CDS/Açores, Artur Lima.

Para o centrista, os "sucessivos erros de gestão comprometem o Serviço Regional de Saúde", que, por exemplo, "não foi capaz de evitar as longas e penosas listas de espera cirúrgicas" e tem falta de médicos especialistas.

"O maior hospital dos Açores [em Ponta Delgada] não tem especialista em dermatologia, e o da Terceira tem apenas um", disse ainda, a título de exemplo.

Na primeira intervenção, a secretária regional com a pasta da Saúde, Teresa Machado Luciano, lembrou que a "realidade arquipelágica" dos Açores é um "verdadeiro desafio" neste campo.

"A descentralização dos cuidados, a humanização da sua prestação e a consolidação da carteira de serviços são estratégias fundamentais para a qualidade do Serviço Regional de Saúde", sublinhou, antes de falar numa "evolução" nos últimos anos, nomeadamente a nível de recursos humanos.

Até final do ano, precisou ainda, haverá mais 197 efetivos no campo da Saúde que em 2018.

Pelo Bloco de Esquerda, o deputado Paulo Mendes defendeu que "o estado da saúde na Região é o resultado de uma política de subfinanciamento crónico do Serviço Regional de Saúde e da crescente promiscuidade entre o público e o privado".

"De ano para ano deparamo-nos com previsões de investimento no Serviço Regional de Saúde claramente insuficientes e a situação agrava-se no que toca à execução desse mesmo investimento", disse, acrescentando ainda que "as listas de espera para cirurgia, bem como para consultas, são também uma marca do desinvestimento na saúde".

O que se impõe, defende o PCP, "são medidas efetivas que dotem o Serviço Regional de Saúde das condições e meios para corresponder ao seu objetivo e não manobras que visam perturbar deliberadamente o seu funcionamento, descreditá-lo e descredibilizá-lo aos olhos dos açorianos".

O serviço de saúde dos Açores, considerou o deputado único do PCP no parlamento dos Açores, João Paulo Corvelo, "necessita urgentemente de um forte investimento em equipamentos e recursos humanos", sendo que os "profissionais de saúde estão fragilizados em diversas questões graves e não são devidamente valorizados pela tutela".

Já o maior partido da oposição, o PSD, pediu ao Governo Regional para "priorizar" as dívidas aos fornecedores dos hospitais da região, lembrando o "envelhecimento da população médica", um "problema com que se depara o Serviço Regional de Saúde", que tem também, por exemplo, "dificuldade em fixar médicos na região"

"Qual o seu planeamento, a sua visão, a sua estratégia?", interrogou a parlamentar social-democrata Mónica Seidi, dirigindo-se à secretária regional da Saúde, que entrou para o executivo há cerca de dois meses, substituindo Rui Luís.

O PPM, pelo deputado Paulo Estêvão, questionou Teresa Machado Luciano sobre o programa do executivo socialista, defendendo que algumas medidas preconizadas, ao invés de melhorarem, "até regrediram", nomeadamente o desígnio de "aperfeiçoar a deslocação de médicos especialistas" ou as listas de espera.

Já o PS, que detém maioria absoluta na Assembleia Legislativa dos Açores, admite as dificuldades no setor, mas garante que nenhum problema "urgente" ficou "sem solução ou resposta".

No debate parlamentar, prosseguiu o deputado socialista Dionísio Faria e Maia, houve uma "tentativa de arremesso, frequente nas campanhas eleitorais", mas o importante, disse, é lembrar a contratualização em anos recentes de enfermeiros e médicos, sendo que é preciso entender que a "falta de recursos especializados" é um problema nacional e não regional.

Na sessão plenária desta semana na cidade da Horta foi também discutido e aprovado o Estatuto de Apoio ao Cuidador Informal proposto pelo Governo dos Açores.

O Bloco de Esquerda, por seu turno, propôs, sem sucesso, uma auditoria do Tribunal de Contas aos contratos das PPP da SCUT de São Miguel e do Hospital da Ilha Terceira.


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